segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Parte 2

Março, 2006
- Como ela está? – Catherine perguntou, observando, da porta, a irmã sentada na cadeira de balanço – Ela parece pior do que da última vez. – Comentou, suspirando.
- Tenho esperanças que ela melhore agora que você veio. – Joe falou, levando Catherine até o quarto de hóspedes.
- Obrigado por ter chamado, Joseph, eu não tinha ideia de que as coisas tinham chegado a esse nível. – Suspirou – É claro que eu sabia que não estava tudo bem, não é? Mas isso não é normal, mesmo considerando a situação. Ela precisa ir a um médico. – Avisou.
- Eu tentei fazer com que ela fosse, juro que tentei, mas ela nem ao menos fala comigo. Se eu a toco, ela começa a gritar, mandando que eu me afaste. Antes, eu conseguia fazer com que ela comesse, mas nessa semana ela está rejeitando tudo. Tive que obrigá-la a comer ontem, fazer com que ela engolisse. Isso está me enlouquecendo.
- Imagino. Vou tentar conversar com ela, talvez ela ouça.
Tinham se passado quatro meses. Quatro meses que Demi não fazia absolutamente nada a não ser chorar. Joe não sabia o que fazer, já tinha chamado um médico, mas Demi nem ao menos o deixara chegar perto. Queria levá-la para o hospital, mas não conseguia, pensando que isso poderia apenas deixá-la mais infeliz.
Todos os dias, à noite, Joseph chorava. Rezava pela sua filha, mas aquilo não o reconfortava, nessas horas a fé não servia. Às vezes, tentava acreditar que nada era sua culpa, porém nem ao menos se iludir ele conseguia. Talvez fosse ele quem estivesse causando isso a Demi. Não, tentou tirar a ideia da cabeça, ele tentava ajudar, não era culpa sua se Demetria se negava a aceitar a morte da filha.
Observou Catherine entrar no quarto de Stella, sentar-se ao lado da irmã e falar com ela. Catherine não era psicóloga, mas conhecia Demetria, podia ajudá-la. Era estranho, Demetria fora quem ficara forte após a morte dos pais, quem aguentou tudo pela irmã, e agora se entregava à depressão.
- Demetria, fale comigo. – Catherine insistia – Vamos comer alguma coisa, você não acha que seria uma boa ideia?
- Não, quero ficar sozinha.
- Nada disso, venha comigo. – Ela puxou a irmã pelo braço – Vamos dar um jeito em você.
- Para que? Por quê? – Perguntava, vagamente, sem se mover no lugar.
- Porque você ainda está viva, Demi. – Respondeu simplesmente.
Ainda não, era questão de tempo, Joe pensou. Catherine saiu do quarto, arrastando a irmã, elas desceram as escadas. Demi não costumava descer, só quando resolvia comer ou ia para o jardim, em uma tentativa de se congelar. Ele ficou ali em cima por um tempo, então resolveu descer, ver se Catherine tinha obtido algum sucesso.
Da sala, podia ouvir vozes. Vozes não, apenas uma: de Catherine. Ela contava alguma coisa para Demi que, como Joe pôde perceber ao se aproximar, não prestava a mínima atenção, mas comia o que estava à sua frente, como um robô. Pelo menos comia, e talvez, com o tempo, prestasse atenção no que a irmã lhe contava.
- Joe? – Ouviu um conhecido lhe chamar e levou um susto.
Kevin estava parado ali, ele nem ao menos tinha notado sua presença. Ele tinha feito o favor de pegar Catherine no aeroporto e trazê-la ali, mas Joe achava que já tinha ido embora, viver.
Mal vira seus amigos nos últimos meses, eles vinham lhe visitar sempre, mas não tinham o que falar. Joe estava sempre ocupado verificando se Demi estava bem e ainda sofria com a morte da filha, palavras de consolo não adiantariam e conversas não fariam sentido. Ele também não tinha trabalhado, não tinham feito nenhuma música nova, nenhum show, nada. Eles entendiam, os fãs também. Isso, porém, não seria para sempre, estavam dando-lhe um tempo para se recuperar, mas logo precisariam trabalhar.
Tinha se passado muito tempo. Não parecia.
- E aí, cara? – Ele cumprimentou Joe – Como está?
- O mesmo de sempre.
Kevin não falou nada, não tinha nada a ser dito.
- É triste vê-la assim. – Comentou, observando Demi e Cath na cozinha – E você também. Há quanto tempo não sai de casa? – Joe não respondeu, Kevin sabia a resposta – Eu imagino como deve doer, mas vocês não podem se deixar levar, Joe. Vamos, saia com a gente. Estamos preocupados com você. Agora Catherine está aqui para ver Demi por você.
Joe aceitou, pois sabia que precisava daquilo. Não queria que a dor vencesse. Não queria morrer, precisava aproveitar sua vida. Se Demi não queria viver, ele não podia obrigá-la, mas não ia se submeter a isso.

De madrugada, ele chegara em casa. Estava completamente bêbado e cansado, e pior: a bebida não havia nem disfarçado sua dor. Sair fora inútil, sentira-se tão mal quanto sempre, mas pelo menos vira as ruas. Estava frio, tudo parecia igual.
Nick e Liam pelo menos pareceram felizes ao vê-lo. Os amigos tentavam distraí-lo, conversar sobre assuntos do mundo, não falavam da própria vida, pois parecia injusto que estivessem tão bem, quando Joe estava sofrendo. Tampouco falavam sobre Demi ou Stella, estragaria a noite. Ao final, todos estavam bêbados e já não falavam mais nada com sentido. Joe chegava até a rir sem saber porque, o som da própria risada o assustou, já se esquecera de como soava.
Como não tinham condições de dirigir e estavam tão bêbados que se esqueceram que táxis existiam, resolveram voltar andando para casa. Em uma temperatura agradável de quatro graus Celsius, eles congelaram no caminho. Pelo menos o frio os deixou mais sóbrios, pelo menos era o que pensavam.
Entraram na casa de Joe, que morava mais perto, cansados de andar. Todos calaram-se ao entrar, o clima sombrio da casa sobrepunha o efeito do álcool. Jogaram-se ao sofá, como nos velhos tempos. Kevin arriscou fazer uma piada e todos riram, ficaram conversando. Alguns minutos depois, perceberam que Nick tinha dormido, era sempre o primeiro a se cansar.
Além disso, apesar de não ter comentado nada, ele tinha uma filha e ser pai era uma tarefa árdua. A pequena Elle não devia ter nem dois anos... Ou será que tinha perdido o aniversário da filha de Nick e Selena? Não iria de qualquer forma, não estava pronto para encarar uma criança.
Kevin levantou-se e foi pegar um copo de água. Joe aproveitou para subir as escadas, verificar como Demi estava. As luzes do corredor estavam apagadas, isso era um bom sinal. Olhou o quarto de Stella, que estava vazio, depois até seu quarto, a porta estava fechada.
Abriu-a, verificando que Demetria estava deitada no escuro. Não sabia se estava dormindo, mas estava em silêncio. Fechou a porta com cuidado, não queria atrapalhá-la. Levou um susto ao perceber alguém atrás dele, virou-se pensando que ia encontrar Catherine, que estava dormindo no quarto do fim do corredor, mas era Liam.
- Hey, o que está fazendo aqui? – Sussurrou, saindo da frente do quarto.
- Só estava vendo onde você foi. Está tudo bem com?
- Nunca está tudo bem. – Suspirou – Está tudo péssimo, Liam. – Desabafou – Demetria só piora, não come, não faz as coisas sozinha, e eu não posso fazer nada, porque ela não me suporta.
- Você não precisa aguentar isso. – Liam falou – Por que você não sai? Não sei, vamos fazer uma tour algo assim. Eu não queria falar, combinamos de não falar nada para você, mas a gravadora está nos pressionando para fazermos outro single. Uma música nova, um show, precisamos de algo, entende? Estamos parados há quase cinco meses.
- Eu sei, mas o que você quer que eu faça?
- Viva! Stella não vai voltar, aceite isso, e talvez Demi também não volte, o que você pode fazer? Nada, então deixe isso de lado por um tempo.
- Minha filha morreu, Liam, eu não posso simplesmente “deixar isso de lado”. – Falou irritado – E eu não me importo se Demi não vai voltar a ser como antes, não vou abandoná-la.
- Não vai, vai ficar aqui vendo-a morrer. É isso?
- Eu não vou deixá-la, Liam, eu prometi quando nos casamos.
- É, mas ela te abandonou, não é? Você também está sofrendo e ela não está nem aí! Ficar aqui, vendo-a sofrer, só está deixando os dois piores, só alimenta a lembrança de Stella e a dor. Demetria nem ao menos vai notar se você for embora um dia, ou talvez até goste. Talvez você esteja a deixando pior.
Ao ouvir as palavras, Joe não aguentou. Quando viu, já tinha dado um soco no rosto de Liam. Ele estava passando dos limites, não tinha o direito de vir em sua casa e falar essas coisas. Ele não iria abandonar sua esposa.
- Ei, calma! – Liam falou, colocando a mão no rosto – Não precisa se estressar!
- O que está acontecendo? – Kevin, que subiu as escadas correndo, se intrometeu – Droga, Joe, você bateu no Liam ?
- Tira esse cara da minha casa. – Joseph falou, irritado – Eu vou dormir, acorde Nick também e o mande embora – Ele entrou no próprio quarto, antes que obtivesse uma resposta.
- O que você disse a ele? – Kevin perguntou a Liam, que continuava reclamando de dor.
- Só estava dando uns conselhos.

Joe entrou no quarto furioso, nem se importou em bater a porta. Percebeu o olhar de Demetria, mas sabia que ela não diria nada, nunca dizia. Pegou uma roupa no armário, ainda no escuro, e entrou no banheiro da suíte. No banho, teria tempo para absorver as bobagens que o amigo tinha dito. Não importava se estava bêbado, nem que estivesse morrendo poderia ter dito essas coisas. Era seu amigo, não era? Deveria cumprir esta função, ao invés de dizer que eles tinham que trabalhar.
Foda-se o trabalho. Que a banda terminasse, ele não iria sair dali. Sua família vinha em primeiro lugar, sempre.
Demi não tinha o abandonado, pensou, não era culpa dela. Era difícil lidar com a dor, insuportável, não dava para explicar. Liam não podia entender, ele nem ao menos tinha um filho. Perder um filho era a pior sensação do mundo, pior que morrer. E cada um tinha um jeito diferente de lidar com a dor, Demi chorava pelos cantos, negando o acontecido, e ele tentava se manter em pé, vivendo cada dia de cada vez, e apenas tentando manter todos vivos, jogando a dor para o lado. Mas no fim, nada adiantava, pois quando fechava os olhos, tudo o que via era a cena do acidente repetitivas vezes.
Não ficava irritado por Demetria o culpar, nem ao menos surpreso. Ele sabia que era sua culpa, não tinha como negar. Era um fato, assim como o de que sua filhinha estava morta. Não podemos mudar o passado.

Novembro, 2005
- Olhe, Stella, como tudo é bonito daqui de cima. – Falou, segurando a filha no colo, observando a imensidão azul lá embaixo.
- É muito alto! – A menina respondeu, abraçando o pai – Eu subi tudo isso? – Perguntou, olhando para baixo.
- Digamos que pegamos um atalho. – Ele riu, lembrando-se que tinham feito pelo menos metade do percurso, de carro. – Mas mesmo assim é muita coisa, não é? Olhe até onde podemos ver... – Ele apontou para o horizonte.
- O que tem lá? – Questionou, curiosa.
- Se continuar muito mais para lá, chegaremos na China!
- Uau! – Ela pareceu impressionada. Nem ao menos sabia onde ficava a China, mas devia ser longe – Chegaremos em casa? – Ela perguntou, referindo-se a Londres.
- Eventualmente.
Stella pareceu achar isso interessante, então ficou olhando para o horizonte, onde o mundo parecia acabar. Devia ter muito mais além disso. Pediu ao pai para descer do colo, agora já sem medo da altura. Mesmo no chão, o pai segurava sua mão, para assegurar que ela não sairia correndo e caísse daquele penhasco. Ela foi até mais à beira, onde podia ver as ondas batendo nas pedras. Amedrontando-se novamente, agarrou as pernas do pai.
Percebendo que Stella já estava cansada de ficar ali, ele saiu da ponta do penhasco. Foram até um quiosque perto do estacionamento, ele comprou um cachorro-quente para dividir com Stella. Ficaram olhando para o horizonte, enquanto ela contava uma história divertida.
Depois de um tempo, Joe começou a sentir-se observado. Praguejou ao perceber que dois paparazzi estavam próximos dele tirando fotos. Como tinham o encontrado? Ele já estava acostumado, mas não suportava que ficassem tirando fotos da sua filha assim.
- Vamos voltar, Stella? Mamãe deve estar preocupada. – Falou para a filha.
- Mas nós nem vimos o sol se pôr! – Ela protestou.
- Voltamos outro dia, certo? – Prometeu, pegando-a no colo e indo ao estacionamento.
O paparazzi que estava escondido saiu, aproximando-se de Joe. Outro apareceu, fez perguntas, Joe o ignorou. Logo tinham uns quatro tirando milhões de fotos, fazendo com que Joe não conseguisse enxergar. Stella escondeu o rosto no ombro do pai, irritada pela claridade. Um dos paparazzi se dirigiu a ela, fazendo-a perguntas.
- Sai daqui, cara. – Joe aconselhou-o.
Colocou a filha dentro do carro, sem se preocupar em colocá-la na cadeirinha, só queria sair dali. O paparazzi o seguiu, colocando-se na frente do carro para poder tirar fotos. Joe apertou a buzina com força e pisou no acelerador, quase atropelando o paparazzi. Odiava aqueles caras, como eram inconvenientes!
Não conseguia passar uma tarde em paz com a filha, que eles já vinham fotografá-los. Privacidade era uma palavra que não conheciam. E se Stella não quisesse ter sua vida inteira em fotos, para quem quisesse ver? Eles não tinham esse direito.
Saiu com tanta raiva, ainda com a visão embaçada pelos flashes, que não percebeu que um carro subia a estrada. Só notou quando ouviu Stella gritando, e desviou para o outro lado, quase caindo e então virando o carro, batendo em seguida.
Houve um barulho terrível. Ouvia gritos de sua própria boca, se misturando aos da filha e ao barulho que o carro fazia ao virar. O veículo saiu da pista, caindo. O Air-bag foi acionado e ele ficou protegido, mas sua filha no banco de trás voava de um lado para o outro, tendo sorte em não ter saído pelo vidro.
O outro carro, lá em cima, ligara para uma ambulância. Mas já era tarde, ele sabia.
Pelo espelho retrovisor, viu a filha manchada de sangue. Então perdeu a consciência.

Março, 2006
Joe deixou que as lágrimas caíssem no banho. Não queria atrapalhar Demetria. As cenas do acidente voltavam, frescas como sempre. Ele não colocara Stella na cadeirinha, por que não? Ele sempre a colocava, mesmo se fosse uma distância pequena. E mesmo assim, não o fez enquanto desciam uma estrada de terra. Era tão idiota.
Irritado, bateu a cabeça na parede, até que começasse a doer. Gritou no banho, esperando que não desse para ouvi-lo pelo lado de fora. Seu grito se transformou em soluços. Era ele quem devia ter tentado se matar, era ele que devia estar subnutrido agora e rejeitando a morte de Stella, não Demi. Por que ele só causava infelicidade? Talvez Liam estivesse certo, talvez devesse se afastar.
Quando conseguiu controlar o choro, saiu do chuveiro e se secou, tentando livrar-se desses pensamentos. Demi mantinha-se no mesmo lugar da cama, imóvel. Com cuidado, deitou-se ao seu lado, mantendo-se tão distante quanto podia.
- Faça o que Liam disse. Vá embora, Joseph. – Murmurou Demi.
Joe não podia ter certeza se ela tinha mesmo falado, ou se havia sido sua consciência reproduzindo o som de sua voz. Ele não ouvia Demetria falar há tanto tempo que pensava que aquilo poderia ter sido uma ilusão.
- O que? – Perguntou, com a esperança de que ela falasse mais, mas não obteve resposta.
Joe fechou os olhos, sem saber o que fazer. Fazer o que Liam tinha dito... Ela queria que ele fosse embora? Ele só estava piorando as coisas ao ficar ali? Pensava nisso quando caiu no sono. Teria tempo para entender se Demi queria mesmo dizer aquilo... Se é que havia sido ela quem tinha falado.

Dez coment's para o proxímo

Adoro os coment's de vcs! ;) Muita coisa vai rolar. 

Aninha: É sempre bom vc pedir autorização da autora pra reposta porque vai que ela nãoquer que postem em outro lugar e tals. E se mesmo vc colocar como a autora ela pode te acusar de plagio. E é sempre bom ser amiga delas né?!!?
=D

10 comentários:

  1. é muito obrigada pela dica
    e ta perfeito o cap

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  2. pooooooooooosta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  3. pooooooooooooooooooosssssssta por favor!

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  4. pooooooooooooooooooosssssssta por favor!

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  5. Meu deus o joe vai embora?
    E a demi ela nao vai fica maluca né?
    ah eu tô surtando aqui!!
    posta porfavor!

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  6. cabou o casamento deles? bubu... ta lindo demais embora continue triste, postaaaaaaaaaaaaaa

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  7. A sei que a Demi está sofrendo,mas ela está muito cruel com o Joe, a filha também era dele. Posta logoo

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  8. POSTA LOGO
    o Joe vai embora?????
    POSTA LOGO
    Beijos

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