quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Parte 2

Joseph não viu Demetria pelo resto da noite, ela se trancara no quarto e não saíra dali. Ele tentou conversar com ela pela porta, mas a mulher voltou a ignorá-lo. Por fim, ele desistiu ainda abismado com suas palavras. Demi tinha o respondido! Depois de tantos meses esperando por esse momento, ela finalmente tinha falado. Então por que ele não se sentia bem com isso? Talvez porque tenha conseguido ver a dor em sua voz, sua desaprovação e acusação, ainda presentes. Joe teve vontade de chorar também, mas não chorou.
Estava cansado de chorar. Estava cansado de se sentir miserável todo dia. Ele iria começar uma nova vida, não iria? Nessa nova vida, ele esqueceria todos seus problemas e não afundaria cada dia mais na tristeza.
Ainda com os olhos secos e as lágrimas presas na garganta, Joe se ajeitou no sofá, dormindo por ali mesmo. Dormiu tão profundamente, que não ouviu Catherine chegar. Acordou cedo no dia seguinte e saiu pela cidade. Foi ao supermercado, fez algumas compras, pensando que talvez Catherine não se lembrasse de fazer isso. Pensou em comprar algo para Demi, para se desculpar por ir embora. Sentiu-se idiota, eles tinham tantos problemas, tantos pedidos de desculpas pendentes, ir embora não era a questão, ele percebeu.
E o que um presente resolveria? Só mostraria o quanto fútil ele era, de achar que bens materiais poderiam ajudá-lo. Objetos não pedem desculpas, pessoas pedem. Atos pedem. E ele não conseguia pensar no que poderia fazer, como poderia se redimir. Era mais fácil simplesmente sumir, mais doloroso, mas ainda sim mais fácil. Se é que isso não era contraditório.
Chegou em casa de mãos vazias. Da sala, escutou vozes. No plural.
Ele não pôde deixar de sorrir, ao ouvir Demi falando normalmente. Ficou parado por alguns segundos, apenas escutando-a falar. Sua voz era como música, fazia seu coração acelerar e despertava nele uma vontade de cantar e dançar ao ritmo de sua fala. Tentou prestar atenção nas palavras, nada específico, apenas conversava aleatoriamente com a irmã.
Os olhos de Joe ficaram molhados e, por um momento, ele pensou que todas as lágrimas guardadas do dia anterior caíriam agora. Mas ele se controlou, limpou o rosto e andou até a cozinha, onde Demi e Cath assavam um bolo.
Ao entrar no cômodo, Demetria parou de falar no mesmo momento. Ele se sentiu mal por isso, mas apenas suspirou, deprimido com a ideia de que sua própria esposa o odiava agora. Catherine o encarou ao mesmo tempo feliz e pesarosa.
Feliz porque Demi estava falando, e pesarosa, pois a irmã ainda estava o rejeitando. Joseph ignorou as duas. Avisou que tinha feito compras e elas deveriam chegar em menos de uma hora. Saiu, dizendo que iria para a casa de Kevin, encontrar os outros.

- É verdade que você vai sair de casa? – Kevin perguntou, depois que Liam e Nick já tinham saído – Catherine me contou.
- Sim, é verdade. Preciso de um tempo sozinho, para resolver tudo.
- Você vai abandonar Demi assim? – Acusou.
Era assim que todos viam sua atitude, percebeu Joe, ele estava abandonando sua mulher. Não apenas todos os outros, pensou, mas ele mesmo também. No fundo, sabia que era isso que estava fazendo, tentando fugir de seus problemas. Não fora isso que prometera para Demetria quando se casaram, não era? Prometeu que ficaria ao seu lado mesmo na tristeza, e na primeira oportunidade agora, depois que tudo dera errado, lá estava ele indo embora.
Não, pensou. Demetria pedira para ir embora, ela dissera que estava tudo bem. Ela não o queria ali. Ela já tinha abandonado tudo antes, o que mais ele podia fazer? Joseph tentava se convencer de tudo aquilo, mas não conseguia.
Demetria no momento poderia querer que ele se afastasse, mas quando voltasse a si, quando melhorasse, tudo o que lembraria era que Joe tinha ido embora, e aí mesmo que nunca olharia novamente na sua cara. Joseph sabia que uma vez que saísse de casa, não poderia mais voltar.
- Não tem mais nada que possa ser feito, Kevin. Eu tenho que seguir com a minha vida... E deixar que ela siga a dela.
- E você não pode seguir sua vida ao lado dela? Demetria nunca vai te perdoar por isso, cara.
- Apenas mais uma coisa que ela nunca perdoará – Suspirou.
Kevin não respondeu, entendo sobre o que o amigo falava. Não tinha como afirmar que ela perdoaria, não tinha como refutar essa afirmação. Demi o culpava pela morte de Stella, e isso sempre teria um peso muito maior do que ele abandoná-la. Kevin balançou a cabeça, sem saber o que dizer. Sentia que Joe estava cometendo um erro.
Conhecia Demetria, ela era sua melhor amiga. Poderia estar abalada no momento, mas no fundo ainda era a mesma pessoa. A partida de Joe provavelmente só a deixaria pior.
- Joe, sério, não faça isso. Você vai se arrepender.
- Talvez. Mas não custa tentar, não é? Não pode ficar pior do que já está.
Kevin jogou a cabeça para trás no sofá onde estava sentado, desistindo de argumentar. Ele podia ver o final dessa história, tanto Demetria quanto Joe sairiam feridos. E ele não podia fazer nada para impedir. Não tinha solução para o problema dos dois. Ir embora os machucaria, mas poderia ser pior do que ficar?
- Quando você vai?
- Amanhã vou sair para a casa de Liam, ficar lá um tempo, antes da turnê começar. Depois que voltarmos, devo procurar um apartamento, depende de como as coisas estiverem com Demi.
- Você acha que estará tão mal a ponto de não poder voltar para casa?
- Não importa se ela ficará bem ou mal, só o que sei é que tudo terá mudado.

- Estou indo – Joe anunciou, na tarde do dia seguinte.
Demi e Catherine estavam sentadas no sofá da sala, vendo TV. As duas olharam para ele, que carregava uma pequena mala. Joe não iria levar todas suas roupas, aquilo era só o suficiente para se vestir por uma semana. Depois voltaria, pegaria mais, até o final do mês, quando viajariam.
- Eu devo voltar amanhã, para pegar mais coisas – E verificar como Demi está, acrescentou mentalmente.
- Ok – Catherine falou, ainda meio irritada por ele estar indo embora – Tchau, Joseph.
Joe parou, esperando Demi falar, mas ela continuou calada. Encarou-o intensamente por alguns segundos, ao mesmo tempo pedindo que ele ficasse e que fosse embora logo. Joe queria que ela pedisse para que ele ficasse. Queria que ela falasse, que dissesse que eles ainda tinham chances. Mas Demetria apenas desviou o olhar, voltando a assistir ao programa de televisão.
Ele suspirou e foi em direção a porta. Podia sentir o olhar da esposa nele, mas não se virou novamente. Foi embora.
Ao colocar sua mala dentro do carro, sentiu que o mundo terminava ali. Estava saindo de casa, e como sempre fazia ao sair, deixava seu coração ali. A diferença é que dessa vez, ele ficaria ali para sempre.
Saiu com o carro e, enquanto via sua casa se afastar, sentia sua vida também se distanciar. Voltaria para casa no dia seguinte, não tinha dúvida, mas não voltaria para o lar. Ao abandonar Demi, abandonaria também o passado, começaria tudo de novo.
A partir de agora, sem mais sofrimento, sem mais dor, sem mais lágrimas. Sem mais Demetria e Stella. Era apenas ele, como nunca havia sido.

Junho, 2006

- Demetria, estou saindo, ok? Não me espere acordada – Catherine avisou, saindo de casa.
Apesar da frase, o comentário de Catherine não era uma brincadeira, ela estava realmente pedindo para a irmã não esperá-la e ir dormir. Apesar de Demi já se encontrar em um estado bem melhor agora, Catherine não conseguia esquecer como a irmã estava há um mês atrás.
Demi apenas assentiu, subindo para o próprio quarto. Não sabia porque continuava no quarto de casal, não sabia nem mesmo porque continuava usando a casa. Ela só servia para trazer lembranças. Dra. Lynes dizia que Demetria deveria se desfazer das lembranças, mas como ela poderia fazer isso, quando elas eram tão boas?
Algumas delas, é claro. Demetria olhou de soslaio para o quarto de Stella. A porta estava fechada há quase dois meses, ela não entrava mais lá, mas também não deixava que ninguém entrasse. Ela queria que tudo ficasse guardado ali, seguro.
A verdade era que limpar o quarto de Stella seria aceitar que ela tinha realmente ido embora. E sair de casa e se mudar do quarto de casal, era aceitar que tinha terminado com Joe. Queria pensar que já tinha superado a fase de negação, mas não conseguia.
Estava melhor, é claro. Com os anti-depressivos que estava tomando e as sessões de terapia, ela aos poucos estava superando. Era difícil, mas ela estava conseguindo, aos poucos.
Agora, ela já conseguia conversar normalmente, apesar de não rir e raramente tomar iniciativa; aguentava sair na rua por algum tempo, fazia compras e ia no shopping. Ficava sozinha, sem problemas, Catherine já estava seguindo com a própria vida. Cath tinha arranjado um trabalho no último mês, havia contratado uma empregada – que na verdade, funcionava mais como babá – para ficar com Demi, enquanto ela estava fora, mas era um começo.
Demetria ficava feliz de ver a irmã reconstruindo a própria vida em Londres. Sentia-se culpada por ter obrigado-a a sair da Califórnia, apenas para que cuidasse dela, mas ao mesmo tempo ficava feliz que Catherine estivesse ali, não sabia o que seria sem ela.
Afinal, fora a irmã que ficara ali, quando Joseph foi embora. Demi tentou mudar de pensamento, antes que fosse tarde demais e as lágrimas começassem a cair. Lembrar-se de Joe nunca era bom, era quase tão doloroso quanto as memórias com Stella. Preferia bloquear ambas, deixá-las escondidas lá no fundo do seu coração. Tão escondidas, que um dia ela se esqueceria onde estavam.
Joe já tinha saído de casa há dois meses. Enquanto estava em Londres, ele ainda voltava para casa de vez em quando, falava com ela, e Demi podia ver a dor em seus olhos. Sabia que ele se sentia culpado por ele ir embora, não devia, fora ela quem quis assim, afinal. Mas não tinha coragem de dizer isso, não tinha coragem de fazer nem falar nada. Apenas o observava ficando mais distante cada vez mais. Até que ele parou de aparecer.
Era estranho, mas fora exatamente ele não aparecer, que despertara iniciativa em Demi. Quando ele ficou quase uma semana sem dar notícias, Demetria começou a ficar preocupada, e pela primeira vez resolveu perguntar para Catherine onde Joe estava.
Cath ficou tão feliz por Demi finalmente ter falado algo, sem ter sido perguntada antes, que abraçou a irmã. Explicou em seguida, que eles tinham ido embora da cidade já, para fazer o tour. Ela se sentiu decepcionada por ele não ter falado que já iria embora, mas, ao tentar se lembrar, percebeu que talvez ele tivesse falado, mas ela não havia prestado atenção, como sempre.
No dia seguinte, Catherine falou com Joseph pelo telefone. Ele queria falar com ela, mas Demi disse apenas para ele não ligar novamente.
Parecia contraditório. Ela sentia sua falta, queria saber onde ele estava, e ficava triste por ele ter ido embora, mas não queria que ele ligasse. Porém, agora que ele tinha ido, Joe deveria seguir seu caminho. Era isso que ela queria, quando o mandou embora, que Joseph reconstruisse sua vida e a deixasse para trás.
Tudo o que ela queria era que ele fosse feliz, e felicidade era algo que ela não poderia mais oferecer.
Demetria sentou-se na cama, pensando em Joe, apesar de não querer. Pegou um porta-retrato que ficava na mesa de cabeceira. Era uma foto dos dois, na lua de mel. Era uma foto tão bonita que doía. A felicidade dos recém-casados era tão visível e pura, mal sabiam tudo o que estava por vir. Demi sentiu a primeira lágrima cair, culpando-se por ter continuado pensando em Joseph. O que ela não daria para voltar para aquela época?
Ela colocou a foto deitada, virada para baixo, na mesa.
Dra. Lynes estava certa, ela precisava deixar as memórias para trás. Precisava continuar completamente. Suspirou, amanhã ela continuaria, amanhã ela deixaria as memórias de lado. Hoje, ela apenas queria dormir e sonhar com Joe e Stella.

- Vamos, Joe, nós vamos entrar agora – Nick chamou-o.
Joe parou de pensar e tentou entrar no clima. A verdade é que estava péssimo. Tinha pena dos fãs e da banda, ele não estava em seu melhor estado, definitivamente. Não estava desde o início, na verdade, mas naquele dia estava pior.
Ele não havia acordado sozinho naquela manhã. Tinha dormido com outra mulher. Aquilo era normal, Kevin havia dito, ninguém esperava que ele fosse ficar sozinho pelo resto da vida. Liam avisou que já estava mais do que na hora, eles já estavam quase voltando para a Inglaterra e já fazia dois meses que tinha deixado Demi.
O problema é que ele não achava que estava tudo bem. Teoricamente, ainda estava casado com Demetria. Não dormia com ninguém que não fosse ela há o que... seis anos? Um pouco mais até. E agora tinha levado um mulher qualquer, que nem ao menos lembrava o nome, para cama, desonrando sua esposa.
Não que ele pretendesse viver no celibato até o final de sua vida, mas... Uma parte de si ainda acreditava que Demetria fosse aceitá-lo novamente e que tudo ficaria bem. Tentou se consolar, Demi não o aceitaria de volta, como se já não o odiasse antes, agora que ele havia ido embora, ela nem ao menos queria falar com ele por telefone.
Ele não ouvia sua voz há um mês! Sentia tanta falta dela.
- Joe! Cara, nós temos que entrar, ok? – Liam o alertou, puxando-o em direção ao palco.
Certo, ele tinha que fazer o show. Todos já estavam decepcionados com ele, não poderia deixar que os fãs também se decepcionassem, não é? Precisava dar o melhor de si.
Entrou no palco, se animando um pouco com os aplausos. Durante o show, se esforçava para parecer animado, enquanto tentava não errar as notas. Tentou se esquecer de tudo e apenas ser levado pela música. Afinal, esse era seu único refúgio.
No meio do show, desistiu de sua tática. Parou de tentar se esquecer de Demetria, e tentou se lembrar de como ela era. Lembrou-se de seu sorriso, de sua voz, de sua face. Então começou a entrar no ritmo e chegou até a sorrir, imaginando que estava há um ano atrás, ansioso para voltar para casa e encontrar a mulher e a filha.
Quando o show acabou, ele encontrou uma mulher e a levou para um quarto. Enquanto fazia sexo com ela, pensava em Demetria. E mesmo que isso fosse doentio, fez com que ele voltasse a si.
Ele fora embora para reconstruir sua vida, precisava fazer isso.

Dez coment's para o proximo!!

13 comentários:

  1. Primeira... O joe e a Demi sao doidos, ela queria q ele fosse embora e ao mesmo tempo nao queria, e ele fica transando com outras mulheres pensando nela, aaaah eu to super- hiper-mega-ultra ansiosa pro proximo cap. Posta logo

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  2. meu deus!!!
    essa fic tá uma loucura (no bom sentido claro!!)

    Posta mais!!
    bjão!

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  3. pooooooooooooooooooooosssssssssssta!!!!!!!!!!

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  4. pooooooooosstttttttttaaaaaaaaaa!!!!!

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  5. pooooooooosstttttttttaaaaaaaaaa!!!!!

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  6. cap perfeito...

    ai q trites, qru jemi junto...

    bjo bjo e posta logo

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  7. nossa esse foi louco. to doida pra ver o q vai acontecer... posta logo

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