sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Capítulo Sete

Setembro, 2003

- Mamã – Stella falou, chamando a atenção de Demetria e abriu os braços para que a mãe a pegasse no colo.
Demetria sorriu, colocando a filha em seus braços. Stella estava tão mimada naquele dia. Obviamente não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo, mas estava adorando toda a atenção que estava recebendo. Mais cedo vários amigos tinham passado ali com seus filhos e dado vários presentes para Stella. Ela abrira todos na mesma hora e brincara com eles, rindo e conversando – mesmo que ninguém estivesse entendendo nada do que ela falava.
Demetria e Joe achavam muito engraçado o fato da filha ser tão comunicativa. Quando ela crescesse, pensavam, ela seria muito falante, seria difícil fazê-la parar. Na verdade, já era bem difícil fazê-la parar qualquer coisa agora.
- Dá! – Stella ordenou, se referindo a um bichinho de pelúcia novo que havia ganhado.
- Agora não, querida, depois você pode brincar.
- Não. Dá! – Demetria revirou os olhos, já sabendo que a filha começaria a fazer pirraça.
- Agora não, Stella. Você está suja, vamos tomar um banho antes, ok?
Stella começou a fechar o rosto e as lágrimas brotaram em seu rosto. Irritada por a contrariarem, ela começou a chorar. Eles passaram o dia inteiro fazendo o que ela queria, conhecera crianças novas, comera bobagens e tivera todas atenções voltadas para ela, agora não podia nem ao menos ter seu ursinho?
- Hey, por que está chorando, Stella? – Joe apareceu no quarto, encontrando a menina aos prantos.
- Stella quer brincar agora, mas não pode, porque primeiro tem que tomar banho – Demetria explicou.
- A mamãe é muito chata, não é, Stell? – Joe falou, observando que a filha tinha parado de chorar, para observá-lo. Ela riu com a observação do pai – Mas ela tem razão. Vamos lá tomar banho e depois nós dois vamos brincar com você.
Stella finalmente aceitou as condições dos pais e foi, sem derramar mais nenhuma lágrima. Quando terminaram de dar banho na menina de um ano, eles ficaram brincando com ela. Stella brincava com as bonecas e bichinhos conversando e dando instruções para os pais. Eles tentavam entender alguma coisa do que a filha falavam, mas apenas riam com a menina.
Naquele momento, com as estrelas brilhando no céu de Londres e a pequena estrelinha deles brilhando ali dentro de casa, sorrindo e brincando, eles tinham tudo o que poderiam querer. Estavam abraçando a felicidade de cabeça e o amor transbordava em seus corações.

Setembro, 2006

Demetria saiu apressada do carro, carregando várias coisas, enquanto falava no telefone. Estava atrasada, sabia disso. Meredith já tinha ligado para ela de manhã reclamando disso. Elas tinham que encontrar a noiva daqui uma hora, e antes disso ainda tinham alguns assuntos pendentes. Seria a primeira vez que Demi se encontraria com a cliente, apesar de já estar trabalhando em seu casamento há algumas semanas e já terem se comunicado por telefone. Hoje iria tomar as decisões finais da decoração da festa e precisava trazer todas as provas. E Demi ainda acordara atrasada!
- Ei, calma aí – Alguém reclamou, quando ela esbarrou, sem prestar atenção por onde andava – Hey, Demetria! – Jim a cumprimentou, sorrindo.
Eles vinham conversando bastante nas últimas semanas. Sempre se encontravam na saída ou na chegada do trabalho conversavam um pouco. Outras vezes, durante o trabalho, se encontravam, apesar de terem funções totalmente diferentes. Ele era divertido e, aparentemente, não sabia nada sobre o que tinha acontecido com ela, portanto não a encarava com pena, nem ficava perguntando o tempo todo se estava tudo bem. Demetria já podia quase considerá-lo um amigo de trabalho.
- Ah, olá, Jim. Estou atrasada. E você também, pelo o que parece – Ela sorriu, enquanto caminhava rapidamente até o elevador, sendo acompanhada por ele.
- Ah, só um pouco. Dia importante hoje?
- Sim, muito! Meredith está quase me matando porque escolhi, de todos os dias, hoje para me atrasar! – Ela riu, ao pensar que era Meredith quem estava a dando uma bronca, em vez do contrário. A porta do elevador se abriu e Demetria saiu – Tchau, Jim, te vejo mais tarde.
Ela andou rapidamente até onde Meredith estava a esperando apreensiva. Ela suspirou quando viu Demi se aproximando. Elas até estavam se entendendo um pouco. Demetria percebeu que ela era até boa no que fazia e Meredith parou de importuná-la, após saber sobre o acidente que matara Stella.
- Dá próxima vez, não se atrase, Demetria – A garota reclamou, vendo que o Demi tinha trazido.
Demetria riu, olhando o relógio e percebendo que nem estava tão atrasada quando pensava.

- Então, Judd, arranjou um tempo para ver sua velha amiga? – Demetria falou, rindo, enquanto sentava-se na cadeira do restaurante.
Era engraçado, mas ela não tinha saído com Kevin desde a Califórnia. Eles tinham se visto, é claro, enquanto ela estava em depressão em casa. Muitas vezes ele vinha visitá-la ou ia falar com Joe. Mas depois que eles saíram em turnê, eles passaram a se comunicar apenas por telefone e mesmo depois que tinham voltado, eles nunca encontravam um horário quando os dois pudessem se ver. Ela não podia mais ir ver a banda ensaiando, pois tinha medo de encontrar Joe, e ela definitivamente ainda não estava preparada para isso.
Às vezes, cometia o erro de parar para ver revistas de fofoca e encontrava Joe nelas. Chegou, algumas vezes, a encontrar fotos dela. Via Joe com outras mulheres, Joe saindo e bebendo, nada que ela não esperasse. Ele tinha o direito de viver. Se ele queria sair com várias mulheres diferentes e festejar, como se ainda tivesse vinte anos e nada a perder, ótimo. Era o jeito dele de lidar com a situação.
Ela, entretanto, preferia manter uma vida calma. Saía com Selena, Kevin, alguns de seus amigos antigos, ia trabalhar todos os dias e cuidava de sua casa. Não significava que ficaria sozinha para sempre, afinal já vira o jeito que Jim olhava para ela. Se ele quisesse alguma coisa, ela não iria negar que estava interessada.
- Ah, nem vem com essa, Srta. Tenho Muito Trabalho Para Fazer e Não Posso Me Encontrar Com Você – Ele falou rindo, então segurou a mão de Demi – Como está sendo a volta ao trabalho?
- Cansativo, mas estou voltando a me acostumar. E vocês? Ouvi dizer que a turnê foi um sucesso. As novas músicas...
- Você ouviu as novas músicas?
- Não, ainda não. Eu queria ouvir, mas... – Ela não terminou a frase.
- Talvez você devesse, Joe escreveu uma delas para Stella.
Demetria ficou calada, sem saber o que dizer. Kevin se culpou por ter dito aquilo, talvez ainda fosse mutio cedo para faalr sobre aquilo. Mas quando pararia de ser cedo? Céus, já ia fazer um ano.
- Ele escreveu uma música para ela? – Ela falou surpresa. Como não sabia daquilo? Talvez tivesse ouvido alguém comentar, mas ignorou. Kevin assentiu – É boa?
- É claro que é boa, Demi – Ele riu com a pergunta – É muito bonita, acho que você vai gostar.
- É, mas ainda não sei se estou pronta para ouvir. Estou tentando esquecer tudo isso, sabe? Deixar para trás.
- Não tem como deixar sua vida para trás, Demi. Estou tentando fazer com que Joe entenda isso também. Vocês nào podem simplesmente tentar recomeçar a vida. Vocês passaram por tudo isso e nào podem mudar, nem voltar atrás, você simplesmente tem que aprender a conviver.
- Como você pode saber, Kevin? – Ela questionou, irritada pelo amigo não aceitar seu modo de lidar com a dor – Ah, claro, porque você já perdeu sua filha, não é?
- Não, Demi, mas estou vendo vocês dois. E como estão tentando esquecer, sem conseguir.
Demetria mudou de assunto depois disso. Não queria ficar falando de Stella ou de Joe. Aquilo doía muito. Certo, e daí se não estava conseguindo esquecer? Pelo menos estava fazendo algum avanço. Pelo menos estava quase conseguindo reconquistar sua felicidade. E, talvez, no final fosse isso que importasse: ser feliz.
Eles conversaram pelo resto da noite, sobre assuntos aleatórios. Não voltaram a falar sobre Stella, Kevin decidiu que tinha sido demais para um dia. Esperava que Demetria ouvisse seu conselho. Sabia que ela e Joe deviam ter ficado juntos, para superar juntos e se ajudar, mas eles resolveram seguir caminhos apostos, quem era ele para intervir? 


 Bom meninas eu sei que a história ta triste e tals. Mas ela é muito bonita. =D
A história tem 17 capitulos e como esta sendo dividida em 2 partes vai ser no total 34 postagens. Espero que por eles não estarem juntos  AINDA vocês continuem me acompanhando. E tenham um poquinho de paciencia. ;) =D Meninas divulguem meu blog. Eu tenho 73 seguidoras mas algumas (pra não falar a maioria) São leitoras fantasmas ou sei la. Porque não estão comentando ai eu não sei o que esta acontecendo se não estão gostando da história. Me diga as opnioes de vocês PLEASE!!! XD

Respondendo:

Bruna martins: Oie Bruninha. calma minha linda. A história ainda tem muito que acontece. =D E desculpe a demora pra posta pq eu estava dando uma meta pra ser cumprida só que não estavam comentando. =/ fico triste com isso. =/

Kauana: Que bom que esteja gostando. Esta por vir fortes emoções!! ;) 
 
Aline: De onde a Demi conhece o Jim? ela conheceu ele no primeiro dia do retorno dela na sala da chefe. ;)  Da uma lidinha no capitulo anterior. essa parte deve te fugido de você. =D

E quanto as outras meninas: NINA, Flávia, Demetria, Cris, Lala, Jemi -love,
Continuem comentando. 
 E as meninas que não foram citadas acima. Comente que eu irei estar dedicando os post a vocês SEMPRE!! =D

POST DEDICADOS A TODAS VOCÊS!! ;)


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Capítulo Seis
Parte 2

Demetria inspirou uma grande quantidade de ar antes de apertar a campainha. Não sabia se estava pronta para aquilo. Enquanto ouvia os passos dentro da casa, pensou em sair dali. Talvez devesse ter avisado que vinha.
- Demi ?! – Selena praticamente gritou ao ver a amiga parada na porta e a abraçou – Meu Deus, entre! Eu não sabia que você vinha...
- Ah, desculpa, eu deveria ter ligado – Demetria começou a falar, meio sem saber como agir.
- Desde quando você avisa quando vem? – Ela ergeu uma sobrancelha, rindo falsamente e puxou a amiga apra denro da casa
Não tinham se visto há muito tempo. Selena vistava Demetria muitas vezes, no início, mas Demi só queria ficar sozinha, se recusava a falar e a mandava embora. E depois ela não podia simplesmente deixar a filha pequena sozinha e não poderia simplesmente levá-la para ver Demi . Então ela parou de visitar Demetria , tinha notícias dela através dos garotos do McFly e, às vezes, falava com Catherine por telefone, mas a verdade é que nos últimos meses tinha se afastado completamente.
- Desculpa, Demi – Falou sentando-se no sofá e olhando apra baixo – Eu devia ter ligado para você.
- Não, Sel , eu é que não liguei mais e não quis falar com ninguém – Demetria falou, já sabendo que a amiga se culpava por simplesmente ter perdido o contato.
- Não importa... Como você está, Demi ? Kevin me disse que você se mudou.
- Sim, eu não podia continuar mais naquela casa, sabe? Catherine arranjou um lugar para ficarmos, é um apartamento pequeno, tem apenas dois quartos, um para mim e outro para Catherine. A sala só tem o necessário, afinal eu tive que comprar móveis novos e tudo mais. Mas estou começando a me acostumar a morar lá.
- E Joe ? Como ele está lidando com isso?
Demetria parou para pensar por um momento. Ela não falava com Joe desde que ele havia ido embora, não sabia como ele estava e, na verdade, não queria saber. Lembrou-se no bilhete inacabado que deixara para ele em casa. Será que Joe entendera que ela quisera dizer que não tinha terminado ainda? Não sabia.
Não tinha pensado nele nas últimas semanas. Não muito, pelo menos. Estivera tentando ocupar seus pensamentos organizando a nova casa, comprando móveis, limpando tudo e tentando recuperar seu antigo emprego. Falara com sua antiga chefe e ela pedria para que Demetria a encontrasse amanhã. Sabia que seria aceita, era muito boa no que fazia, mas provavelmente não na mesma função que costumava ter. Ou com a mesma autoridade.
- Eu não tenho falado com Joe – Falou, finalmente.
- Mas e como vocês vão ficar?
- Não sei, Selena , mas nenhum de nós quer conversar sobre isso agora. Vamos ficar que nem estamos agora. Não estamos mais juntos, mas sempre seremos um do outro, entende?
- Não dá para entender, Demi , mas vocês dois... Nunca deu para entender.
Ficaram caladas por um tempo, como se estivessem ao mesmo tempo lembrando de Demetria e Joseph antigamente, quando começaram a namorar, seis anos antes. Fora tudo tão mágico, parecia tão eterno. Os pensamentos foram interrompidos por uma criança saltitante que entrava na sala.
- Mamãe, coloca! – Ela pedia, segurando um DVD na mão, parou quando viu que tinha mais alguém na sala. Abriu um sorriso – Oi!
Selena olhou para a filha e depois olhou para Demetria que parecia estatizada. Elle estava com dois anos, apenas um pouco mais nova do que a idade que Stella tinha quando morreu, Selena imaginava quando deveria doer para Demi observar a menina.
- Elle, mamãe está conversando com uma amiga agora, depois eu coloco o filme para você, ok? – Sussurrou para a menina – Por que você não fica um pouco no seu quarto, brincando, e daqui a pouco eu vou lá?
- Mas eu quero ver agora! – Ela falou errando as palavras.
- Está tudo bem, Sel – Demetria falou – Deixe Elle assistir o filme.
- Não, Demi , Elle está indo par ao quarto dela. Não está, Ellie? – Selena encarou a filha que saiu emburrada em direção ao quarto – Desculpe por isso.
- Tudo bem, não é como seu eu pudesse simplesmente ignorar todas as crianças do mundo. Eu estou aprendendo a lidar com isso.
- Se precisar de ajudar, eu estou aqui, ok? Para qualquer coisa – Selena falou, segurando a mão de Demetria – Você é minha melhor amiga, Demi , sempre vai ser, eu estou aqui é pra te apoiar.
- Obrigada, Selena .
Elas conversaram um pouco mais depois disso. Selena contou o que vinha acontecendo, tentou evitar ao máximo possível falar sobre Elle ou o McFly, mas era difícil afinal eles eram praticamente sua vida. No fim, já estava contando tudo e ficou feliz ao perceber que Demi pareci não se importar, aliás gostava de saber o que acontecia com os meninos. Kevin não gostava de lhe dizer o que estava acontecendo, achando que isso iria feri-la e ela nunca tivera muita intimidade com Liam ou Nick .
Demetria contou que estava voltando ao trabalho e Selena ficou muito feliz por ela, já estava mesmo na hora. Combinaram de sair um dia e prometeram que iriam ligar uma para a outra. Demi chegou a se encontrar com Nick , mas eles apenas se cumprimentaram, então ela foi embora.

Demetria sentiu seu coração bater mais rápido ao entrar no prédio. Cumprimentou o porteiro, notando que não o conhecia, e entrou no elevador cumprimentando também as pessoas que estavam lá. Ninguém que ela conhecesse ainda. Ela não ia até lá fazia mais ou menos nove meses. Sabia que no momento que entrasse na agência várias pessoas olhariam para ela, talvez até fizessem perguntas. “Como você está?” “Você acha que consegue voltar a trabalhar?”. Tudo de novo.
Saltou do elevador, entrando direto no lugar. Viu que a recepcionista estava a encarando, juntamente com algumas outras pessoas que passavam. Demetria sentiu-se desconfortável, mas apenas sorriu para eles e aproximou-se do balcão.
- Olá, Rose. Courtney deve estar me esperando, marquei com ela às 14h – Demi falou, sem saber como se comportar.
- Ah, claro. Vou avisar que você chegou – Rose falou, pegando o telefone – Fico feliz que você esteja de volta, Demetria – Ela sorriu, então falou com a chefe pelo telefone – Você pode ir até a sala dela.
Demetria assentiu, passando pelas mesas de seus companheiros de trabalho, sorriu para alguns. Bateu na porta, antes de entrar na sala de Courtney. A porta se abriu, e um homem, que ela não conhecia saiu de lá, cumprimentando-a e então Courtney apareceu atrás dele, sorrindo para Demetria .
- Olá, Demi – Falou, cumprimentando-a com dois beijinhos – Você provavelmente não conhece Jim Turner – Disse, apontado para o homem que saíra e estava parado na porta agora – Ele começou a trabalhar aqui há alguns meses, me ajudando a administrar as finanças.
- Oi – Ele estendeu a mão e Demetria apertou, sorrindo para ele.
Jim era um homem muito bonito. Seus olhos castanhos eram grandes e expressivos, e a encaravam peculiarmente. Ele era forte e alto, mais alto que Joe , e estava a deixando desconfortável.
-Bom, vou indo. Vejo você por aí, Demetria – Ele não tirava os olhos dela.
Acenou com a mão e saiu. Demetria franziu a testa, acompanhando-o com o olhar. Virou-se novamente para Courtney e entrou em sua sala. A chefe parecia preocupada, mas não disse nada, apenas pediu para que Demi se sentasse. Courtney devia ter uns quarenta e poucos anos e era a dona da agencia de eventos. Aquele havia sido o segundo emprego de Demetria – havia sido contratada um pouco antes de se casar. Ela e Courtney nunca tinham sido melhores amigas, mas eram colegas de trabalho e gostavam uma da outra, já tinham saído juntas algumas vezes e ido na casa uma da outra.
- Como você está, Demi ? – Courtney perguntou e Demetria suspirou, já esperando por isso.
- Aguentando. Superando, eu acho. Mas estou bem, Court, estou pronta para voltar.
-Olhe, se você não estiver, não tem problema, querida. Você sempre vai ter seu lugar aqui.
- Não, eu estou pronta. Eu preciso disso, Court. Preciso voltar a trabalhar, recuperar minha vida, senão vou enlouquecer.
- Ok, tudo bem – Courtney falou, observando Demetria – Olhe, temos essa menina nova aqui, Meredith, você pode ajudá-la a organizar um casamento. Eu sei que você não a conhece, mas ela é ótima, vocês vão se entender bem. Podem se ajudar.
Demetria assentiu, feliz por poder voltar a trabalhar. Conversou um pouco com Courtney, tanto sobre trabalho quanto sobre a vida das duas. Como Courtney tinha que voltar a trabalhar, Demetria saiu indo procurar Meredith, sua nova parceira de trabalho.
- Demi ! – Stacy, antiga amiga do trabalho, a chamou, vendo-a sair da sala de Court – Você voltou! – Abraçou Demi , antes que ela pudesse dizer qualquer coisa – Como você está?
Demetria começou a falar com Stacy, e logo outras pessoas conhecidas se aproximaram e começaram a conversar também. Demi não se sentia bem sendo o centro das atenções, achava desconfortável todas essas perguntas sobre como ela estava. Demorou um tempo até conseguir escapar deles e ir procurar a tal Meredith.
Acabou descobrindo que ela era uma recém-formada de vinte e três anos, loira, fútil e, aparentemente, sem nada na cabeça. Não sabia porque exatamente Courtney achou que elas iriam se dar bem. Bom, mas pelo menos ela estava trabalhando, era melhor do que nada.
- Então, por que você ficou tanto tempo sem trabalhar? – Meredith perguntou, tentando puxar assunto – Nem acredito que deixaram você voltar! Quer dizer, estou aqui há seis meses e nunca vi você, então isso significa que você está afastada há mais tempo ainda!
- Sim, há nove meses – Demetria falou, encerrando o assunto.
- Nove meses? Você teve um filho clandestinamente ou algo assim? - Meredith riu, porém Demetria apenas a encarou mortalmente.
- Não – Falou simplesmente.
Meredith ficou calada, sem graça, tentando pensar porque Demetria não quis dizer. Várias hipóteses se passavam por sua mente, mas todas completamente mirabolantes e longe, além de menos trágicas, do que a verdade.
- Por que você não quer dizer? Se era segredo, a maioria das pessoas já sabe, eu vou descobrir – Ela falou, conseguindo irritar Demetria ainda mais.
- Minha filha de três anos morreu, Meredith – Falou secamente – Será difícil entender que eu não quero falar sobre isso?
- Ah – A garota suspirou – Meu Deus, me desculpe, eu não sabia...
- É claro que não.
Demetria saiu andando, fazendo uma ligação. Se precisava trabalhar com aquela garota, tudo bem, mas definitivamente não iriam conversar muito. Ou nada.

No final do dia, Demetria entrou no elevador exausta. Seu trabalho não era muito cansativo, na verdade, era só fazer algumas ligações, visitar lugares, ver pessoas, e naquele dia, em especial, ela apenas dera ligações. Mesmo assim, o que a cansara não era exatamente o trabalho e sim as pessoas nele. Principalmente Meredith, mas todos os outros também a importunaram. Ter que ficar sorrindo e dizendo que estava bem a cansava.
Ela não estava bem, era óbvio que não estava, e todos sabiam disso, por que perguntavam então? Queriam que ela dissesse que a vida dela estava um caos? Que ela tinha que tomar antidepressivos todos os dias para que superasse a vontade de se matar? Que precisava ir duas vezes por semana no terapeuta? Que tinha que morar com a sua irmã, porque seu próprio marido, com quem ela não falava há meses, não havia suportado ficar ao seu lado?
Ok, isso não era verdade, ela sabia que não. Ela estava melhor, e não tinha sido esse o motivo pelo qual Joe fora embora. E ela nem o culpava por isso, por que estava pensando nessas coisas? Sentiu que fosse começar a chorar, assim como fazia toda vez que parava para pensar. Controlou-se. Aqui não, não no meio de todas as pessoas.
- Você está bem? – Alguém perguntou para ela no elevador.
Demetria virou-se para encará-lo. Era Jim, que havia conhecido algumas horas antes. Tentou disfarçar, sorrindo um pouco.
- Sim – Murmurou, encarando-o. Seus olhos a prendiam, ela não conseguia desviar o olhar.
- Não parece.
- Não é nada – Ela falou, conseguindo finalmente desviar o olhar.
A porta do elevador se abriu e Demetria saiu, andando mais rápido do que o normal. Quando chegou ao seu carro, colocou a mão no coração. Enquanto olhava Jim, sentiu algo que já não sentia há muito tempo. Eram os olhos, Demi pensou, aqueles olhos a deixaram confusa.
Voltando ao normal, Demetria saiu dali, voltando para casa. Ela iria recomeçar a vida, mas não desse jeito. Ela era de Joe , ele era seu marido.

Triste por não ter conseguido chegar a 15 coment's. Cade vocês fofolets. Mas mesmo assim estou postando e esperando mais coment's.
=/

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Capítulo Seis
Julho, 2006

Demetria abriu a porta do quarto quase contra sua própria vontade. Inspirou bastante ar e o prendeu antes de entrar, tentou controlar suas emoções ao dar o primeiro passo. O quarto de Stella continuava intocado. Dava um peso no coração limpar tudo, mas precisava ser feito. Demi andou até o armário da filha, carregando várias caixas de papelão, e aos poucos começou a tirar todas as roupas das gavetas e colocá-las na caixa.
Demetria tentou ignorar o que estava fazendo, mas era praticamente impossível. Quando acabou as gavetas e começou a guardar os brinquedos de Stella, começou a sentir as lágrimas caírem novamente. Limpou-as rapidamente, antes que fosse demais para parar. Não é nada demais, dizia para si mesma, só iria doar as roupas e brinquedos da filha para alguém que precisasse mais. Para uma criança que, de fato, poderia usá-los.
Isso era o certo a fazer.
Após encher quatro caixas, Demi finalmente parou para respirar. Observou o quarto a sua volta e decidiu que já tinha encaixotado quase tudo. Até mesmo o lençol da cama de Stella já não estava mais lá. Demetria juntou os bichinhos de pelúcia que estavam na estante e colocou dentro de um saco-plástico. Parou quando viu o ursinho preferido de Stella , não conseguia aceitar que outra criança brincaria com ele. Por um segundo pensou que se sua filha não poderia brincar, ninguém deveria poder. Ela sabia que estava sendo egoísta, mas ao mesmo tempo não suportava a ideia de dar tudo assim, alguma coisa ela tinha que deixar, não é?
Antes que mudasse de ideia, deixou todas as caixas ali e andou discretamente até seu quarto, como se estivesse fazendo algo ilegal, e escondeu o urso de pelúcia no fundo de seu armário. Ninguém precisava saber daquilo.
- Demi ? O que você está fazendo? – Catherine perguntou, parada na porta do quarto.
- Nada – Respondeu normalmente, sem deixar que a irmã percebesse o que tinha feito – Estou só terminando de organizar as coisas de Stella.
- Então por que está no seu quarto? – Questionou, erguendo uma sobrancelha.
- Só fui ver se tinha alguma coisa dela guardada aqui – Inventou uma desculpa qualquer.
Demetria saiu do quarto, voltando para o quarto que costumava ser da filha e pegando as caixas com as roupas. Colocou tudo dentro do carro, como se estivesse fazendo uma mudança. Ao chegar a fundação para a qual iria doar os objetos e roupas, se sentiu melhor ao notar que tudo seria doado a crianças que realmente precisavam.
- Quantas coisas – A secretária que estava recebendo as doações falou, observando a quantidade de caixas que Demi trazia – Costumamos receber pequenas quantidades de cada vez, as crianças costumam ir doando aos poucos – Ela completou.
Demetria sentiu o estômago contrair ao perceber que ela achava que estava doando apenas porque sua filha tinha crescido, e parado de brincar. Sem querer falar sobre isso, Demetria apenas assentiu e saiu dali o mais rápido que podia. Talvez devesse ter deixado Cath fazer isso por ela, mas insistiu, disse que ela mesmo tinha que doar as coisas de Stella. Como se fosse um ritual para a aceitação de sua morte.

- Já voltou? – Catherine perguntou, ao ouvir a porta bater e ver Demetria entrando na sala.
Demi assentiu, sentando-se ao lado da irmã. Tentou adivinhar o que Cath assistia, mas chegou a conclusão que não conhecia o programa. Suspirou, sem saber o que fazer. O quarto de Stella estava vazio agora, mas ela não se sentia melhor com isso. Não sentia como se tivesse deixado para trás a filha e a depressão ou jogado a tristeza fora, como fizera com as roupas e os brinquedos da menina. Sentia-se exatamente igual ao dia anterior.
Não estava mais deprimida, mas continuava vazia, sentindo a falta da filha e do marido. Eles eram a primeira coisa que pensava ao acordar e a última antes de dormir. Mesmo em seus sonhos, era em Stella em quem ela pensava. Algumas vezes lembrava-se de como era antigamente. Alguns sonhos eram apenas memórias, outros eram desejos de como ela queria que seu futuro tivesse sido. Como ela queria que o futuro de Stella tivesse sido.
Enquanto estava acordada, às vezes conseguia se distrair com outros assuntos. Assistia à televisão e ignorava o resto do mundo, conversava com Catherine e realmente se interessava pelo o que a irmã contava. No fundo, porém, tudo era sobre a filha. Aquele era o quarto em que Stella dormia, a sala em que ela assistia televisão e a cozinha em que ela tomava café-da-manhã.
Se ela queria recomeçar a vida, teria que deixar tudo para trás. Não podia ficar em um lugar cheio de memórias, assim nunca conseguiria. Percebeu então que Joe tinha razão em ter ido embora dali o mais rápido que pôde. Achava que ele tinha feito isso por ela, por que ela pedira ou por não suportar mais encará-la. Mas tinha mais, ela notou, aquela casa era muito cheia de lembranças. Para suportar tudo, precisava antes ficar um tempo afastado – o que não significava que nunca voltaria – apenas para que conseguisse guardar as memórias em seu lugar certo, o passado.
- Preciso sair daqui – Verbalizou seus pensamentos, despertando a atenção da irmã – Preciso me mudar, Catherine.
- Do que você está falando?
- Não posso mais continuar nessa casa. Eu não vou melhorar enquanto eu não sair daqui – Falou, com um tom desesperado na voz.
- Ok, Demi , vamos começar a procurar algum lugar amanhã então – Cath falou, tentando acalmar a irmã.
A verdade é que Catherine já queria sair daquela casa há muito tempo. Sabia que chegaria o momento em que Demi resolveria que não podia continuar ali, já vinha procurando apartamentos há um tempo e estava quase alugando um; agora que tinha a confirmação da irmã, só tinha que fechar o contrato com o dono do local.
Sentia que agora sim Demetria voltaria. Elas mudariam-se para algum lugar novo e, talvez, daqui algum tempo ela poderia arranjar um lugar só para ela, deixando Demi se cuidar sozinha – ou com outra pessoa.
Suspirou, feliz com a evolução que Demetria já tinha feito.

Agosto, 2006

Joseph estacionou na garagem, sentindo-se nervoso por estar novamente em casa. Seus amigos tinham perguntado se ele não queria ficar um tempo na casa deles, mas ele rejeitou dizendo que já estava na hora de voltar. Tinha saído há mais de quatro meses, já estava pronto para encarar tudo novamente. Pegou suas malas desajeitadamente, tentando levar tudo ao mesmo tempo.
Ao abrir a porta da casa, sentiu o vazio do lugar. Nada que ele não esperasse.
Mantinha certo contato com Catherine, e Demetria , às vezes, falava com Kevin , então sabia que sua esposa tinha se mudado para um apartamento em outro bairro fazia quase um mês. Ela não levara nada da casa, ele percebeu. Ou quase nada, notando que alguns objetos de decoração não estavam mais no lugar. As fotos, porém continuavam todas ali.
O que fazia sentido, é claro, já que ela estava tentando fugir das duras memórias. Joe deixou as malas jogadas ali no meio do caminho mesmo e foi ver o resto da casa, constatando o que mduara nos últimos meses. Viu que a cozinha estava praticamente vazia – Demetria levara as panelas, os copos e os talheres -, os objetos maiores da casa continuavam todos ali – as mesas, televisões, sofás e cadeiras – mas os menores haviam sido levados – almofadas, vasos, laptops e livros.
Quando, por impulso, abriu o quarto de Stella, levou um susto por notar que não havia absolutamente nada ali. As paredes continuavam pintadas de rosa claro, mas todo o resto havia simplesmente desaparecido. Certo, Catherine havia contado que Demetria dera para caridade os objetos da filha, mas ele não imaginara que tinha sido, literalmente, tudo.
Saiu do quarto, fechando a porta. Era melhor assim mesmo. Foi para o quarto do lado, o que havia sido dele e de Demi , tudo continuava exatamente igual, até mesmo os pequenos objetos continuavam ali. Joe se aproximou da mesa de cabeceira, para ver a foto da lua-de-mel, mas encontrou um pequeno pedaço de papel ali. Pegou, sem saber o que esperar, reconheceu a letra de Demetria .
“Joe , eu - “ era tudo o que estava escrito. Uma frase incompleta. Depois de tudo, não havia muito o que dizer. Mas aquela pequena frase não terminada, fez brotar um sorriso no rosto de Joseph , porque, ele percebeu, aquele pedaço de papel dizia tudo o que ele precisava saber. Ele e Demetria não haviam terminado, assim como aquela frase.
Obviamente não estavam mais juntos, e provavelmente não estariam por algum tempo. Entretanto, não significava que tinham terminado, eles pertenciam um ao outro, eles ainda estavam casados e nenhum dos dois iria, tão cedo, pedir o divórcio. Joseph pegou o papel e guardou na gaveta. Um dia, pensou, ele teria o fim dessa frase.
Agora, cada um deles deveria seguir seu próprio caminho e achar sua maneira de lidar com a perda. Deveriam superar a morte da filha, recuperar suas vidas antes de voltarem a ficar juntos, antes de voltarem a ser felizes por completo.

Quinze coment's para o proximo

Parte 2

Joseph não viu Demetria pelo resto da noite, ela se trancara no quarto e não saíra dali. Ele tentou conversar com ela pela porta, mas a mulher voltou a ignorá-lo. Por fim, ele desistiu ainda abismado com suas palavras. Demi tinha o respondido! Depois de tantos meses esperando por esse momento, ela finalmente tinha falado. Então por que ele não se sentia bem com isso? Talvez porque tenha conseguido ver a dor em sua voz, sua desaprovação e acusação, ainda presentes. Joe teve vontade de chorar também, mas não chorou.
Estava cansado de chorar. Estava cansado de se sentir miserável todo dia. Ele iria começar uma nova vida, não iria? Nessa nova vida, ele esqueceria todos seus problemas e não afundaria cada dia mais na tristeza.
Ainda com os olhos secos e as lágrimas presas na garganta, Joe se ajeitou no sofá, dormindo por ali mesmo. Dormiu tão profundamente, que não ouviu Catherine chegar. Acordou cedo no dia seguinte e saiu pela cidade. Foi ao supermercado, fez algumas compras, pensando que talvez Catherine não se lembrasse de fazer isso. Pensou em comprar algo para Demi, para se desculpar por ir embora. Sentiu-se idiota, eles tinham tantos problemas, tantos pedidos de desculpas pendentes, ir embora não era a questão, ele percebeu.
E o que um presente resolveria? Só mostraria o quanto fútil ele era, de achar que bens materiais poderiam ajudá-lo. Objetos não pedem desculpas, pessoas pedem. Atos pedem. E ele não conseguia pensar no que poderia fazer, como poderia se redimir. Era mais fácil simplesmente sumir, mais doloroso, mas ainda sim mais fácil. Se é que isso não era contraditório.
Chegou em casa de mãos vazias. Da sala, escutou vozes. No plural.
Ele não pôde deixar de sorrir, ao ouvir Demi falando normalmente. Ficou parado por alguns segundos, apenas escutando-a falar. Sua voz era como música, fazia seu coração acelerar e despertava nele uma vontade de cantar e dançar ao ritmo de sua fala. Tentou prestar atenção nas palavras, nada específico, apenas conversava aleatoriamente com a irmã.
Os olhos de Joe ficaram molhados e, por um momento, ele pensou que todas as lágrimas guardadas do dia anterior caíriam agora. Mas ele se controlou, limpou o rosto e andou até a cozinha, onde Demi e Cath assavam um bolo.
Ao entrar no cômodo, Demetria parou de falar no mesmo momento. Ele se sentiu mal por isso, mas apenas suspirou, deprimido com a ideia de que sua própria esposa o odiava agora. Catherine o encarou ao mesmo tempo feliz e pesarosa.
Feliz porque Demi estava falando, e pesarosa, pois a irmã ainda estava o rejeitando. Joseph ignorou as duas. Avisou que tinha feito compras e elas deveriam chegar em menos de uma hora. Saiu, dizendo que iria para a casa de Kevin, encontrar os outros.

- É verdade que você vai sair de casa? – Kevin perguntou, depois que Liam e Nick já tinham saído – Catherine me contou.
- Sim, é verdade. Preciso de um tempo sozinho, para resolver tudo.
- Você vai abandonar Demi assim? – Acusou.
Era assim que todos viam sua atitude, percebeu Joe, ele estava abandonando sua mulher. Não apenas todos os outros, pensou, mas ele mesmo também. No fundo, sabia que era isso que estava fazendo, tentando fugir de seus problemas. Não fora isso que prometera para Demetria quando se casaram, não era? Prometeu que ficaria ao seu lado mesmo na tristeza, e na primeira oportunidade agora, depois que tudo dera errado, lá estava ele indo embora.
Não, pensou. Demetria pedira para ir embora, ela dissera que estava tudo bem. Ela não o queria ali. Ela já tinha abandonado tudo antes, o que mais ele podia fazer? Joseph tentava se convencer de tudo aquilo, mas não conseguia.
Demetria no momento poderia querer que ele se afastasse, mas quando voltasse a si, quando melhorasse, tudo o que lembraria era que Joe tinha ido embora, e aí mesmo que nunca olharia novamente na sua cara. Joseph sabia que uma vez que saísse de casa, não poderia mais voltar.
- Não tem mais nada que possa ser feito, Kevin. Eu tenho que seguir com a minha vida... E deixar que ela siga a dela.
- E você não pode seguir sua vida ao lado dela? Demetria nunca vai te perdoar por isso, cara.
- Apenas mais uma coisa que ela nunca perdoará – Suspirou.
Kevin não respondeu, entendo sobre o que o amigo falava. Não tinha como afirmar que ela perdoaria, não tinha como refutar essa afirmação. Demi o culpava pela morte de Stella, e isso sempre teria um peso muito maior do que ele abandoná-la. Kevin balançou a cabeça, sem saber o que dizer. Sentia que Joe estava cometendo um erro.
Conhecia Demetria, ela era sua melhor amiga. Poderia estar abalada no momento, mas no fundo ainda era a mesma pessoa. A partida de Joe provavelmente só a deixaria pior.
- Joe, sério, não faça isso. Você vai se arrepender.
- Talvez. Mas não custa tentar, não é? Não pode ficar pior do que já está.
Kevin jogou a cabeça para trás no sofá onde estava sentado, desistindo de argumentar. Ele podia ver o final dessa história, tanto Demetria quanto Joe sairiam feridos. E ele não podia fazer nada para impedir. Não tinha solução para o problema dos dois. Ir embora os machucaria, mas poderia ser pior do que ficar?
- Quando você vai?
- Amanhã vou sair para a casa de Liam, ficar lá um tempo, antes da turnê começar. Depois que voltarmos, devo procurar um apartamento, depende de como as coisas estiverem com Demi.
- Você acha que estará tão mal a ponto de não poder voltar para casa?
- Não importa se ela ficará bem ou mal, só o que sei é que tudo terá mudado.

- Estou indo – Joe anunciou, na tarde do dia seguinte.
Demi e Catherine estavam sentadas no sofá da sala, vendo TV. As duas olharam para ele, que carregava uma pequena mala. Joe não iria levar todas suas roupas, aquilo era só o suficiente para se vestir por uma semana. Depois voltaria, pegaria mais, até o final do mês, quando viajariam.
- Eu devo voltar amanhã, para pegar mais coisas – E verificar como Demi está, acrescentou mentalmente.
- Ok – Catherine falou, ainda meio irritada por ele estar indo embora – Tchau, Joseph.
Joe parou, esperando Demi falar, mas ela continuou calada. Encarou-o intensamente por alguns segundos, ao mesmo tempo pedindo que ele ficasse e que fosse embora logo. Joe queria que ela pedisse para que ele ficasse. Queria que ela falasse, que dissesse que eles ainda tinham chances. Mas Demetria apenas desviou o olhar, voltando a assistir ao programa de televisão.
Ele suspirou e foi em direção a porta. Podia sentir o olhar da esposa nele, mas não se virou novamente. Foi embora.
Ao colocar sua mala dentro do carro, sentiu que o mundo terminava ali. Estava saindo de casa, e como sempre fazia ao sair, deixava seu coração ali. A diferença é que dessa vez, ele ficaria ali para sempre.
Saiu com o carro e, enquanto via sua casa se afastar, sentia sua vida também se distanciar. Voltaria para casa no dia seguinte, não tinha dúvida, mas não voltaria para o lar. Ao abandonar Demi, abandonaria também o passado, começaria tudo de novo.
A partir de agora, sem mais sofrimento, sem mais dor, sem mais lágrimas. Sem mais Demetria e Stella. Era apenas ele, como nunca havia sido.

Junho, 2006

- Demetria, estou saindo, ok? Não me espere acordada – Catherine avisou, saindo de casa.
Apesar da frase, o comentário de Catherine não era uma brincadeira, ela estava realmente pedindo para a irmã não esperá-la e ir dormir. Apesar de Demi já se encontrar em um estado bem melhor agora, Catherine não conseguia esquecer como a irmã estava há um mês atrás.
Demi apenas assentiu, subindo para o próprio quarto. Não sabia porque continuava no quarto de casal, não sabia nem mesmo porque continuava usando a casa. Ela só servia para trazer lembranças. Dra. Lynes dizia que Demetria deveria se desfazer das lembranças, mas como ela poderia fazer isso, quando elas eram tão boas?
Algumas delas, é claro. Demetria olhou de soslaio para o quarto de Stella. A porta estava fechada há quase dois meses, ela não entrava mais lá, mas também não deixava que ninguém entrasse. Ela queria que tudo ficasse guardado ali, seguro.
A verdade era que limpar o quarto de Stella seria aceitar que ela tinha realmente ido embora. E sair de casa e se mudar do quarto de casal, era aceitar que tinha terminado com Joe. Queria pensar que já tinha superado a fase de negação, mas não conseguia.
Estava melhor, é claro. Com os anti-depressivos que estava tomando e as sessões de terapia, ela aos poucos estava superando. Era difícil, mas ela estava conseguindo, aos poucos.
Agora, ela já conseguia conversar normalmente, apesar de não rir e raramente tomar iniciativa; aguentava sair na rua por algum tempo, fazia compras e ia no shopping. Ficava sozinha, sem problemas, Catherine já estava seguindo com a própria vida. Cath tinha arranjado um trabalho no último mês, havia contratado uma empregada – que na verdade, funcionava mais como babá – para ficar com Demi, enquanto ela estava fora, mas era um começo.
Demetria ficava feliz de ver a irmã reconstruindo a própria vida em Londres. Sentia-se culpada por ter obrigado-a a sair da Califórnia, apenas para que cuidasse dela, mas ao mesmo tempo ficava feliz que Catherine estivesse ali, não sabia o que seria sem ela.
Afinal, fora a irmã que ficara ali, quando Joseph foi embora. Demi tentou mudar de pensamento, antes que fosse tarde demais e as lágrimas começassem a cair. Lembrar-se de Joe nunca era bom, era quase tão doloroso quanto as memórias com Stella. Preferia bloquear ambas, deixá-las escondidas lá no fundo do seu coração. Tão escondidas, que um dia ela se esqueceria onde estavam.
Joe já tinha saído de casa há dois meses. Enquanto estava em Londres, ele ainda voltava para casa de vez em quando, falava com ela, e Demi podia ver a dor em seus olhos. Sabia que ele se sentia culpado por ele ir embora, não devia, fora ela quem quis assim, afinal. Mas não tinha coragem de dizer isso, não tinha coragem de fazer nem falar nada. Apenas o observava ficando mais distante cada vez mais. Até que ele parou de aparecer.
Era estranho, mas fora exatamente ele não aparecer, que despertara iniciativa em Demi. Quando ele ficou quase uma semana sem dar notícias, Demetria começou a ficar preocupada, e pela primeira vez resolveu perguntar para Catherine onde Joe estava.
Cath ficou tão feliz por Demi finalmente ter falado algo, sem ter sido perguntada antes, que abraçou a irmã. Explicou em seguida, que eles tinham ido embora da cidade já, para fazer o tour. Ela se sentiu decepcionada por ele não ter falado que já iria embora, mas, ao tentar se lembrar, percebeu que talvez ele tivesse falado, mas ela não havia prestado atenção, como sempre.
No dia seguinte, Catherine falou com Joseph pelo telefone. Ele queria falar com ela, mas Demi disse apenas para ele não ligar novamente.
Parecia contraditório. Ela sentia sua falta, queria saber onde ele estava, e ficava triste por ele ter ido embora, mas não queria que ele ligasse. Porém, agora que ele tinha ido, Joe deveria seguir seu caminho. Era isso que ela queria, quando o mandou embora, que Joseph reconstruisse sua vida e a deixasse para trás.
Tudo o que ela queria era que ele fosse feliz, e felicidade era algo que ela não poderia mais oferecer.
Demetria sentou-se na cama, pensando em Joe, apesar de não querer. Pegou um porta-retrato que ficava na mesa de cabeceira. Era uma foto dos dois, na lua de mel. Era uma foto tão bonita que doía. A felicidade dos recém-casados era tão visível e pura, mal sabiam tudo o que estava por vir. Demi sentiu a primeira lágrima cair, culpando-se por ter continuado pensando em Joseph. O que ela não daria para voltar para aquela época?
Ela colocou a foto deitada, virada para baixo, na mesa.
Dra. Lynes estava certa, ela precisava deixar as memórias para trás. Precisava continuar completamente. Suspirou, amanhã ela continuaria, amanhã ela deixaria as memórias de lado. Hoje, ela apenas queria dormir e sonhar com Joe e Stella.

- Vamos, Joe, nós vamos entrar agora – Nick chamou-o.
Joe parou de pensar e tentou entrar no clima. A verdade é que estava péssimo. Tinha pena dos fãs e da banda, ele não estava em seu melhor estado, definitivamente. Não estava desde o início, na verdade, mas naquele dia estava pior.
Ele não havia acordado sozinho naquela manhã. Tinha dormido com outra mulher. Aquilo era normal, Kevin havia dito, ninguém esperava que ele fosse ficar sozinho pelo resto da vida. Liam avisou que já estava mais do que na hora, eles já estavam quase voltando para a Inglaterra e já fazia dois meses que tinha deixado Demi.
O problema é que ele não achava que estava tudo bem. Teoricamente, ainda estava casado com Demetria. Não dormia com ninguém que não fosse ela há o que... seis anos? Um pouco mais até. E agora tinha levado um mulher qualquer, que nem ao menos lembrava o nome, para cama, desonrando sua esposa.
Não que ele pretendesse viver no celibato até o final de sua vida, mas... Uma parte de si ainda acreditava que Demetria fosse aceitá-lo novamente e que tudo ficaria bem. Tentou se consolar, Demi não o aceitaria de volta, como se já não o odiasse antes, agora que ele havia ido embora, ela nem ao menos queria falar com ele por telefone.
Ele não ouvia sua voz há um mês! Sentia tanta falta dela.
- Joe! Cara, nós temos que entrar, ok? – Liam o alertou, puxando-o em direção ao palco.
Certo, ele tinha que fazer o show. Todos já estavam decepcionados com ele, não poderia deixar que os fãs também se decepcionassem, não é? Precisava dar o melhor de si.
Entrou no palco, se animando um pouco com os aplausos. Durante o show, se esforçava para parecer animado, enquanto tentava não errar as notas. Tentou se esquecer de tudo e apenas ser levado pela música. Afinal, esse era seu único refúgio.
No meio do show, desistiu de sua tática. Parou de tentar se esquecer de Demetria, e tentou se lembrar de como ela era. Lembrou-se de seu sorriso, de sua voz, de sua face. Então começou a entrar no ritmo e chegou até a sorrir, imaginando que estava há um ano atrás, ansioso para voltar para casa e encontrar a mulher e a filha.
Quando o show acabou, ele encontrou uma mulher e a levou para um quarto. Enquanto fazia sexo com ela, pensava em Demetria. E mesmo que isso fosse doentio, fez com que ele voltasse a si.
Ele fora embora para reconstruir sua vida, precisava fazer isso.

Dez coment's para o proximo!!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Capítulo Cinco
Abril, 2006

- Demi, esse é a Doutora Melissa Lynes, ela veio para te ver – Catherine avisou a irmã, que estava parada, sentada em seu lugar habitual.
Demetria continuou parada, apenas encarando Dra. Lynes. Por que tinham mandado uma médica para vê-la? Ela já não estava bem? Estava comendo, tomando banho, até mesmo falava de vez em quando. Queriam mais do que isso?
- Olá, Demetria – Melissa disse, olhando a mulher que continuava imóvel – Você prefere conversar aqui ou em outro lugar? – Quando Demetria não respondeu, Melissa deu de ombros e agachou-se no chão, ficando na altura da paciente – Você deve estar se perguntando porque eu estou aqui. Eu sou uma psiquiatra, Demetria. Seu marido e sua irmã me chamaram aqui para que eu visse você.
Catherine saiu discretamente pela porta, deixando Demetria e Melissa sozinhas. Demi precisava daquilo, já devia ter consultado um profissional há muito tempo, logo quando começou a demonstrar sinais depressivos, mas ainda tinha tempo. Demetria estava se esforçando para parecer melhor, não sabia se o motivo disso tinha sido sua chegada ou o tempo, mas ela estava tentando parecer viva, pelo menos. O problema é que não estava conseguindo. Ainda parecia morta, às vezes, mais morta do que Stella.
Ela não conversava com Catherine, achava que sim, mas só emitia sons aleatórios e ouvia a irmã. Obedecia ordens, mas raramente fazia algo por vontade própria. Não falava com os amigos e mal encarava o marido. Duas semanas antes, fora dormir no sofá e desde esse dia não dormira mais no próprio quarto. Entrava lá para pegar suas roupas e só. Também não tomava mais banho na suíte, usava o banheiro do corredor. O banheiro de Stella.
Joseph estava devastado com isso, ainda mais do que já estava. Catherine não sabia de quem sentia mais pena, da irmã que rejeitava a vida ou do cunhado que era rejeitado por ela. Eles não mereciam aquilo.
- Ela está falando com a Dra. Lynes? – Joe perguntou, observando da porta de seu quarto.
- Se ela está falando, eu não sei. Mas Dra. Lynes está falando com ela. Espero que ela melhore.
Catherine se afastou do quarto, andando até Joe, colocou a mão em seu ombro. Já estavam há mais de um mês vivendo a mesma rotina, em função de Demetria. Catherine tinha o visto chorar, ouvira seus lamentos, isso os aproximou. Não de uma forma amorosa ou sexual, só a ideia seria repugnante para ambos, mas tinham construído uma amizade confiável.
- Eu estou indo embora, Catherine – Joseph falou, depois de alguns minutos de silêncio.
- O que você quer dizer, vai sair?
- Vou sair de casa – Ele explicou – Acho que vai fazer bem para Demetria. Obviamente, ela não me quer por perto. Fizemos umas três músicas novas ao longo desse mês, tínhamos umas antigas... Vamos fazer uns shows, mostrar que alguns de nós ainda estão vivos.
- O que?! Você não pode simplesmente ir embora, Joe. Certo, Demi está passando por um momento difícil e não quer te ver, mas isso vai passar. E quando passar, ela vai querer que você esteja aqui.
- Desculpe, Cath, mas não posso ficar apostando nisso. Eu não queria ir assim, mas preciso fazer os shows, entende? Estão procurando um substituto... Querem me substituir no McFly. Preciso mostrar que não morri.
- Eles não podem fazer isso! – Catherine disse, abismada com o que Joseph tinha acabado de dizer – Você acabou de perder sua filha.
- Acontece que as pessoas acham que depois de cinco meses você já deveria ter superado – Joe comentou, deixando transparecer sua insatisfação.
- Mas não é só isso, é? – Ela ergueu as sobranclheas – Joseph, estamos vivendo na mesma casa há um mês e eu te conheço há muito tempo. Eu vi você cuidando de Demetria, você não a deixaria ela assim. O que mais aconteceu?
- Demetria quer que eu vá, ok? E se essa é a única coisa que eu posso fazer por ela, é o que eu vou fazer.
Catherine não disse nada sobre isso. Não podia fazer nada, se Joseph quisesse ir embora, ele deveria ir. Quem ela queria enganar? Demi estava péssima e ele precisava do trabalho. Alguém precisava continuar trabalhar, todos eles precisavam continuar com a vida. Ela não faria o mesmo que ele, mas não o culpava por querer ir embora.
- Quando você vai? – Perguntou.
- Só vamos sair em mais de um mês, mas acho que vou ficar um tempo na casa de Liam, até lá. Vai ser melhor para me concentrar e escrever. E me acostumar. Vou ver se falo com Demi hoje, ela provavelmente não vai se importar, mas...
- Talvez ela se toque do que está acontecendo, quando você avisá-la. Um choque de realidade.
Joe concordou com a cabeça. Era isso que ele esperava, que ela acordasse desse coma em que estava vivendo. Que ela percebesse que a vida continuava e que ele não estaria ali para sempre. E mesmo se não estivesse, ela estava, e era isso que importava no fim, não é? Viver.
Ele nem sabia mais.
Estava indo viver. Abandonando quem mais amava no mundo e indo embora, porque vê-la morrendo estava o matando, e seus amigos diziam que ele precisava se reanimar, que ele precisava recomeçar a vida. Mas ele não se sentia bem com isso, como poderia viver, se estava se afastando de Demetria?
Ele queria saber se estava fazendo a coisa certa. Seu coração dizia para que ele continuasse ali, para que ele esperasse ao lado de sua esposa. Com o tempo ela voltaria, ele tinha esperança, com o tempo tudo voltaria o normal. Mas não ficaria, a razão lhe dizia, ele não podia ter certeza, seus amigos completavam.
O McFly costumava ser sua vida, seu agente dizia. E mesmo que não continuasse sendo a sua, ainda era grande parte dos outros três integrantes, ele não podia simplesmente abandoná-los. De um jeito ou de outro, ele teria que deixar um dos dois de lado, o McFly ou Demetria. Quem ele iria escolher? A mulher semi-morta, que não o deixava tocá-la ou seus melhores amigos, que sempre o apoiaram? Há alguns meses atrás teria escolhido sua esposa sem hesitar, e agora olha onde ele estava.
Saiu de casa, precisando respirar um pouco. Como contaria isso para Demetria? Era complicado demais. Ele estava saindo de casa, mas não significava que eles estavam se separando, significava? Não, é claro que não. Tirou a ideia da cabeça rapidamente, ele não iria se divorciar e Demetria, bom, se ela pedisse para se divorciar, ele estaria feliz demais por ela ter uma opinião para se importar.
Quando estava cansado de andar, pegou um táxi e foi até a casa de Kevin, onde Liam e Nick também estavam. Iria contar-lhes que avisaria Demi hoje. Boa notícia para eles, não é?

Chegou em casa razoavelmente cedo. Ao entrar em casa, pode ouvir Catherine falando. Olhou de longe que ela estava acompanhada por Demi, que estava sentada de costas para a porta. Demi escutava a irmã, sem dizer nada, para variar. Joe suspirou e andou até elas. Cumprimentou-as, porém não tocou em Demetria, tinha desistido assim que percebeu que ela sempre se afastava, como se tivesse levado um choque.
- Ah que bom que você chegou, Joe – Cath falou – Eu tenho um encontro hoje – Ela riu, tentando quebrar um clima tenso – Estou saindo agora.
Joe não sabia se ela tinha realmente um encontro ou não, mas percebeu que ela estava saindo naquele momento apenas para deixá-lo sozinho com Demi. Quando Catherine levou, ele se sentou ao lado da esposa. Demi o encarou, mas seus olhos não lhe diziam nada.
Demetria costumava falar pelos olhos. Foi assim que Joe primeiramente percebeu que uma parte dela havia morrido, quando viu que seus olhos estavam completamente vazios e sem vida. Eles continuavam assim, Joseph se perguntava se um dia voltariam a brilhar como antes.
- Demi – Ele a chamou – Tenho uma coisa para te contar – Ele falou, olhando-a intensamente.
Demetria quase falou um “O que?”, por apenas um mísero segundo, sua boca abriu levemente. O movimento não durou muito tempo e não deu em nada. Mas Joe percebeu, e se sentiu culpado na mesma hora. Ela iria falar, isso significava que ela estava melhorando, e ele iria abandoná-la. E se odiava por isso.
Como a mulher continuou calada, ele reuniu forças para dizer o que teria.
- Eu estou indo embora, Demetria – Ele falou e levou um susto ao perceber o olhar assustado da esposa – Voltei a compor com a banda... Nós vamos fazer uns shows mês que vem e até lá vou ficar na casa de Liam, terminando as músicas e tudo mais.
Demi permaneceu em silêncio, mas ele pode sentir os pensamentos acusadores. Você está me abandonando? Perguntava Demetria mentalmente.
- Isso não é para sempre – Ele completou – Vou ficar lá só para me acostumar, Demi, e depois quando voltarmos para Londres, talvez eu volte para casa.
Talvez. Os dois sabiam o impacto dessa palavra. Sabiam o que ela significava. Ele não tinha certeza se ele voltaria, ele não tinha certeza se gostaria de voltar para lá. Para aquela casa cheia de memórias e lágrimas.
- Eu tenho que fazer isso, Demetria – Ele se explicava, mesmo que ela não tivesse perguntado – Eu tenho que continuar a viver - Completou – Você deveria tentar isso também.
Demetria permaneceu em silêncio. Joe esperava que ela dissesse algo, afinal fora ela mesma quem o aconselhara, um mês antes, a ouvir Liam, não é? Mas ela não disse. Ele se levantou, indo em direção a cozinha, esquentar seu jantar.
- Estou feliz por você – Demetria murmurou, despertando a atenção do marido – Você está certo, Joseph.
Ela se levantou, olhando significativamente para Joe. Ele continuava imóvel, chocado com sua manifestação. Demi virou na direção contrária, subindo as escadas. Parou no primeiro degrau, virando-se para ele, que continuava estatizado.
- Boa sorte com a banda – Ela falou, com a voz meio trêmula.
Demi subiu rapidamente até o segundo andar. Ao chegar em seu quarto – que ela não usava já há um tempo, mas fora o primeiro lugar que lhe veio a mente – se trancou, começando a chorar.

Dez coment's para o proximo

Kauana: Seja bem vinda fofa!! Tomara que continua comentando sempre!! ;) bjs

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Parte 2

Março, 2006
- Como ela está? – Catherine perguntou, observando, da porta, a irmã sentada na cadeira de balanço – Ela parece pior do que da última vez. – Comentou, suspirando.
- Tenho esperanças que ela melhore agora que você veio. – Joe falou, levando Catherine até o quarto de hóspedes.
- Obrigado por ter chamado, Joseph, eu não tinha ideia de que as coisas tinham chegado a esse nível. – Suspirou – É claro que eu sabia que não estava tudo bem, não é? Mas isso não é normal, mesmo considerando a situação. Ela precisa ir a um médico. – Avisou.
- Eu tentei fazer com que ela fosse, juro que tentei, mas ela nem ao menos fala comigo. Se eu a toco, ela começa a gritar, mandando que eu me afaste. Antes, eu conseguia fazer com que ela comesse, mas nessa semana ela está rejeitando tudo. Tive que obrigá-la a comer ontem, fazer com que ela engolisse. Isso está me enlouquecendo.
- Imagino. Vou tentar conversar com ela, talvez ela ouça.
Tinham se passado quatro meses. Quatro meses que Demi não fazia absolutamente nada a não ser chorar. Joe não sabia o que fazer, já tinha chamado um médico, mas Demi nem ao menos o deixara chegar perto. Queria levá-la para o hospital, mas não conseguia, pensando que isso poderia apenas deixá-la mais infeliz.
Todos os dias, à noite, Joseph chorava. Rezava pela sua filha, mas aquilo não o reconfortava, nessas horas a fé não servia. Às vezes, tentava acreditar que nada era sua culpa, porém nem ao menos se iludir ele conseguia. Talvez fosse ele quem estivesse causando isso a Demi. Não, tentou tirar a ideia da cabeça, ele tentava ajudar, não era culpa sua se Demetria se negava a aceitar a morte da filha.
Observou Catherine entrar no quarto de Stella, sentar-se ao lado da irmã e falar com ela. Catherine não era psicóloga, mas conhecia Demetria, podia ajudá-la. Era estranho, Demetria fora quem ficara forte após a morte dos pais, quem aguentou tudo pela irmã, e agora se entregava à depressão.
- Demetria, fale comigo. – Catherine insistia – Vamos comer alguma coisa, você não acha que seria uma boa ideia?
- Não, quero ficar sozinha.
- Nada disso, venha comigo. – Ela puxou a irmã pelo braço – Vamos dar um jeito em você.
- Para que? Por quê? – Perguntava, vagamente, sem se mover no lugar.
- Porque você ainda está viva, Demi. – Respondeu simplesmente.
Ainda não, era questão de tempo, Joe pensou. Catherine saiu do quarto, arrastando a irmã, elas desceram as escadas. Demi não costumava descer, só quando resolvia comer ou ia para o jardim, em uma tentativa de se congelar. Ele ficou ali em cima por um tempo, então resolveu descer, ver se Catherine tinha obtido algum sucesso.
Da sala, podia ouvir vozes. Vozes não, apenas uma: de Catherine. Ela contava alguma coisa para Demi que, como Joe pôde perceber ao se aproximar, não prestava a mínima atenção, mas comia o que estava à sua frente, como um robô. Pelo menos comia, e talvez, com o tempo, prestasse atenção no que a irmã lhe contava.
- Joe? – Ouviu um conhecido lhe chamar e levou um susto.
Kevin estava parado ali, ele nem ao menos tinha notado sua presença. Ele tinha feito o favor de pegar Catherine no aeroporto e trazê-la ali, mas Joe achava que já tinha ido embora, viver.
Mal vira seus amigos nos últimos meses, eles vinham lhe visitar sempre, mas não tinham o que falar. Joe estava sempre ocupado verificando se Demi estava bem e ainda sofria com a morte da filha, palavras de consolo não adiantariam e conversas não fariam sentido. Ele também não tinha trabalhado, não tinham feito nenhuma música nova, nenhum show, nada. Eles entendiam, os fãs também. Isso, porém, não seria para sempre, estavam dando-lhe um tempo para se recuperar, mas logo precisariam trabalhar.
Tinha se passado muito tempo. Não parecia.
- E aí, cara? – Ele cumprimentou Joe – Como está?
- O mesmo de sempre.
Kevin não falou nada, não tinha nada a ser dito.
- É triste vê-la assim. – Comentou, observando Demi e Cath na cozinha – E você também. Há quanto tempo não sai de casa? – Joe não respondeu, Kevin sabia a resposta – Eu imagino como deve doer, mas vocês não podem se deixar levar, Joe. Vamos, saia com a gente. Estamos preocupados com você. Agora Catherine está aqui para ver Demi por você.
Joe aceitou, pois sabia que precisava daquilo. Não queria que a dor vencesse. Não queria morrer, precisava aproveitar sua vida. Se Demi não queria viver, ele não podia obrigá-la, mas não ia se submeter a isso.

De madrugada, ele chegara em casa. Estava completamente bêbado e cansado, e pior: a bebida não havia nem disfarçado sua dor. Sair fora inútil, sentira-se tão mal quanto sempre, mas pelo menos vira as ruas. Estava frio, tudo parecia igual.
Nick e Liam pelo menos pareceram felizes ao vê-lo. Os amigos tentavam distraí-lo, conversar sobre assuntos do mundo, não falavam da própria vida, pois parecia injusto que estivessem tão bem, quando Joe estava sofrendo. Tampouco falavam sobre Demi ou Stella, estragaria a noite. Ao final, todos estavam bêbados e já não falavam mais nada com sentido. Joe chegava até a rir sem saber porque, o som da própria risada o assustou, já se esquecera de como soava.
Como não tinham condições de dirigir e estavam tão bêbados que se esqueceram que táxis existiam, resolveram voltar andando para casa. Em uma temperatura agradável de quatro graus Celsius, eles congelaram no caminho. Pelo menos o frio os deixou mais sóbrios, pelo menos era o que pensavam.
Entraram na casa de Joe, que morava mais perto, cansados de andar. Todos calaram-se ao entrar, o clima sombrio da casa sobrepunha o efeito do álcool. Jogaram-se ao sofá, como nos velhos tempos. Kevin arriscou fazer uma piada e todos riram, ficaram conversando. Alguns minutos depois, perceberam que Nick tinha dormido, era sempre o primeiro a se cansar.
Além disso, apesar de não ter comentado nada, ele tinha uma filha e ser pai era uma tarefa árdua. A pequena Elle não devia ter nem dois anos... Ou será que tinha perdido o aniversário da filha de Nick e Selena? Não iria de qualquer forma, não estava pronto para encarar uma criança.
Kevin levantou-se e foi pegar um copo de água. Joe aproveitou para subir as escadas, verificar como Demi estava. As luzes do corredor estavam apagadas, isso era um bom sinal. Olhou o quarto de Stella, que estava vazio, depois até seu quarto, a porta estava fechada.
Abriu-a, verificando que Demetria estava deitada no escuro. Não sabia se estava dormindo, mas estava em silêncio. Fechou a porta com cuidado, não queria atrapalhá-la. Levou um susto ao perceber alguém atrás dele, virou-se pensando que ia encontrar Catherine, que estava dormindo no quarto do fim do corredor, mas era Liam.
- Hey, o que está fazendo aqui? – Sussurrou, saindo da frente do quarto.
- Só estava vendo onde você foi. Está tudo bem com?
- Nunca está tudo bem. – Suspirou – Está tudo péssimo, Liam. – Desabafou – Demetria só piora, não come, não faz as coisas sozinha, e eu não posso fazer nada, porque ela não me suporta.
- Você não precisa aguentar isso. – Liam falou – Por que você não sai? Não sei, vamos fazer uma tour algo assim. Eu não queria falar, combinamos de não falar nada para você, mas a gravadora está nos pressionando para fazermos outro single. Uma música nova, um show, precisamos de algo, entende? Estamos parados há quase cinco meses.
- Eu sei, mas o que você quer que eu faça?
- Viva! Stella não vai voltar, aceite isso, e talvez Demi também não volte, o que você pode fazer? Nada, então deixe isso de lado por um tempo.
- Minha filha morreu, Liam, eu não posso simplesmente “deixar isso de lado”. – Falou irritado – E eu não me importo se Demi não vai voltar a ser como antes, não vou abandoná-la.
- Não vai, vai ficar aqui vendo-a morrer. É isso?
- Eu não vou deixá-la, Liam, eu prometi quando nos casamos.
- É, mas ela te abandonou, não é? Você também está sofrendo e ela não está nem aí! Ficar aqui, vendo-a sofrer, só está deixando os dois piores, só alimenta a lembrança de Stella e a dor. Demetria nem ao menos vai notar se você for embora um dia, ou talvez até goste. Talvez você esteja a deixando pior.
Ao ouvir as palavras, Joe não aguentou. Quando viu, já tinha dado um soco no rosto de Liam. Ele estava passando dos limites, não tinha o direito de vir em sua casa e falar essas coisas. Ele não iria abandonar sua esposa.
- Ei, calma! – Liam falou, colocando a mão no rosto – Não precisa se estressar!
- O que está acontecendo? – Kevin, que subiu as escadas correndo, se intrometeu – Droga, Joe, você bateu no Liam ?
- Tira esse cara da minha casa. – Joseph falou, irritado – Eu vou dormir, acorde Nick também e o mande embora – Ele entrou no próprio quarto, antes que obtivesse uma resposta.
- O que você disse a ele? – Kevin perguntou a Liam, que continuava reclamando de dor.
- Só estava dando uns conselhos.

Joe entrou no quarto furioso, nem se importou em bater a porta. Percebeu o olhar de Demetria, mas sabia que ela não diria nada, nunca dizia. Pegou uma roupa no armário, ainda no escuro, e entrou no banheiro da suíte. No banho, teria tempo para absorver as bobagens que o amigo tinha dito. Não importava se estava bêbado, nem que estivesse morrendo poderia ter dito essas coisas. Era seu amigo, não era? Deveria cumprir esta função, ao invés de dizer que eles tinham que trabalhar.
Foda-se o trabalho. Que a banda terminasse, ele não iria sair dali. Sua família vinha em primeiro lugar, sempre.
Demi não tinha o abandonado, pensou, não era culpa dela. Era difícil lidar com a dor, insuportável, não dava para explicar. Liam não podia entender, ele nem ao menos tinha um filho. Perder um filho era a pior sensação do mundo, pior que morrer. E cada um tinha um jeito diferente de lidar com a dor, Demi chorava pelos cantos, negando o acontecido, e ele tentava se manter em pé, vivendo cada dia de cada vez, e apenas tentando manter todos vivos, jogando a dor para o lado. Mas no fim, nada adiantava, pois quando fechava os olhos, tudo o que via era a cena do acidente repetitivas vezes.
Não ficava irritado por Demetria o culpar, nem ao menos surpreso. Ele sabia que era sua culpa, não tinha como negar. Era um fato, assim como o de que sua filhinha estava morta. Não podemos mudar o passado.

Novembro, 2005
- Olhe, Stella, como tudo é bonito daqui de cima. – Falou, segurando a filha no colo, observando a imensidão azul lá embaixo.
- É muito alto! – A menina respondeu, abraçando o pai – Eu subi tudo isso? – Perguntou, olhando para baixo.
- Digamos que pegamos um atalho. – Ele riu, lembrando-se que tinham feito pelo menos metade do percurso, de carro. – Mas mesmo assim é muita coisa, não é? Olhe até onde podemos ver... – Ele apontou para o horizonte.
- O que tem lá? – Questionou, curiosa.
- Se continuar muito mais para lá, chegaremos na China!
- Uau! – Ela pareceu impressionada. Nem ao menos sabia onde ficava a China, mas devia ser longe – Chegaremos em casa? – Ela perguntou, referindo-se a Londres.
- Eventualmente.
Stella pareceu achar isso interessante, então ficou olhando para o horizonte, onde o mundo parecia acabar. Devia ter muito mais além disso. Pediu ao pai para descer do colo, agora já sem medo da altura. Mesmo no chão, o pai segurava sua mão, para assegurar que ela não sairia correndo e caísse daquele penhasco. Ela foi até mais à beira, onde podia ver as ondas batendo nas pedras. Amedrontando-se novamente, agarrou as pernas do pai.
Percebendo que Stella já estava cansada de ficar ali, ele saiu da ponta do penhasco. Foram até um quiosque perto do estacionamento, ele comprou um cachorro-quente para dividir com Stella. Ficaram olhando para o horizonte, enquanto ela contava uma história divertida.
Depois de um tempo, Joe começou a sentir-se observado. Praguejou ao perceber que dois paparazzi estavam próximos dele tirando fotos. Como tinham o encontrado? Ele já estava acostumado, mas não suportava que ficassem tirando fotos da sua filha assim.
- Vamos voltar, Stella? Mamãe deve estar preocupada. – Falou para a filha.
- Mas nós nem vimos o sol se pôr! – Ela protestou.
- Voltamos outro dia, certo? – Prometeu, pegando-a no colo e indo ao estacionamento.
O paparazzi que estava escondido saiu, aproximando-se de Joe. Outro apareceu, fez perguntas, Joe o ignorou. Logo tinham uns quatro tirando milhões de fotos, fazendo com que Joe não conseguisse enxergar. Stella escondeu o rosto no ombro do pai, irritada pela claridade. Um dos paparazzi se dirigiu a ela, fazendo-a perguntas.
- Sai daqui, cara. – Joe aconselhou-o.
Colocou a filha dentro do carro, sem se preocupar em colocá-la na cadeirinha, só queria sair dali. O paparazzi o seguiu, colocando-se na frente do carro para poder tirar fotos. Joe apertou a buzina com força e pisou no acelerador, quase atropelando o paparazzi. Odiava aqueles caras, como eram inconvenientes!
Não conseguia passar uma tarde em paz com a filha, que eles já vinham fotografá-los. Privacidade era uma palavra que não conheciam. E se Stella não quisesse ter sua vida inteira em fotos, para quem quisesse ver? Eles não tinham esse direito.
Saiu com tanta raiva, ainda com a visão embaçada pelos flashes, que não percebeu que um carro subia a estrada. Só notou quando ouviu Stella gritando, e desviou para o outro lado, quase caindo e então virando o carro, batendo em seguida.
Houve um barulho terrível. Ouvia gritos de sua própria boca, se misturando aos da filha e ao barulho que o carro fazia ao virar. O veículo saiu da pista, caindo. O Air-bag foi acionado e ele ficou protegido, mas sua filha no banco de trás voava de um lado para o outro, tendo sorte em não ter saído pelo vidro.
O outro carro, lá em cima, ligara para uma ambulância. Mas já era tarde, ele sabia.
Pelo espelho retrovisor, viu a filha manchada de sangue. Então perdeu a consciência.

Março, 2006
Joe deixou que as lágrimas caíssem no banho. Não queria atrapalhar Demetria. As cenas do acidente voltavam, frescas como sempre. Ele não colocara Stella na cadeirinha, por que não? Ele sempre a colocava, mesmo se fosse uma distância pequena. E mesmo assim, não o fez enquanto desciam uma estrada de terra. Era tão idiota.
Irritado, bateu a cabeça na parede, até que começasse a doer. Gritou no banho, esperando que não desse para ouvi-lo pelo lado de fora. Seu grito se transformou em soluços. Era ele quem devia ter tentado se matar, era ele que devia estar subnutrido agora e rejeitando a morte de Stella, não Demi. Por que ele só causava infelicidade? Talvez Liam estivesse certo, talvez devesse se afastar.
Quando conseguiu controlar o choro, saiu do chuveiro e se secou, tentando livrar-se desses pensamentos. Demi mantinha-se no mesmo lugar da cama, imóvel. Com cuidado, deitou-se ao seu lado, mantendo-se tão distante quanto podia.
- Faça o que Liam disse. Vá embora, Joseph. – Murmurou Demi.
Joe não podia ter certeza se ela tinha mesmo falado, ou se havia sido sua consciência reproduzindo o som de sua voz. Ele não ouvia Demetria falar há tanto tempo que pensava que aquilo poderia ter sido uma ilusão.
- O que? – Perguntou, com a esperança de que ela falasse mais, mas não obteve resposta.
Joe fechou os olhos, sem saber o que fazer. Fazer o que Liam tinha dito... Ela queria que ele fosse embora? Ele só estava piorando as coisas ao ficar ali? Pensava nisso quando caiu no sono. Teria tempo para entender se Demi queria mesmo dizer aquilo... Se é que havia sido ela quem tinha falado.

Dez coment's para o proxímo

Adoro os coment's de vcs! ;) Muita coisa vai rolar. 

Aninha: É sempre bom vc pedir autorização da autora pra reposta porque vai que ela nãoquer que postem em outro lugar e tals. E se mesmo vc colocar como a autora ela pode te acusar de plagio. E é sempre bom ser amiga delas né?!!?
=D

domingo, 29 de janeiro de 2012

Capítulo Quatro
Fevereiro, 2006

Chovia. Há quase três meses chovia sem parar. As nuvens eternas moravam nos olhos de Demetria, e continuariam ali para sempre. Londres estava sempre nublada, mas não fora ali que começara, e sim na Califórnia. Na ensolarada Califórnia. Ironia?
Ironia era lhe tirarem todos que amavam. Não, era apenas trágico. Uma tragédia, realmente. “Todos lamentamos sua perda, Demi” lhe diziam “mas você não pode ficar assim para sempre”. Ora, vejam só, pelo o que parece, ela podia sim.
Não ligava para mais nada. Levantou-se da cama, cansada de ficar ali. Joe se mexeu ao seu lado, acordando. Demi olhou para o relógio, não tendo a mínima noção da hora. Eram apenas seis da manhã. De que importava?
Caminhou, silenciosamente, até o único quarto que lhe interessava. Suspirou ao entrar, tudo continuava igual: completamente morto, mas ainda assim, trazia uma grande onda de alívio. Tudo ali a lembrava de Stella. A pequena cama, as paredes cor de rosa, os quadros infantis e as estrelas que enfeitavam o teto. Os bichinhos de pelúcia na estante sorriam diabolicamente e a caixinha de música, na mesa, parecia tocar a todo tempo.
Tudo estava no exato lugar há mais ou menos quatro meses, quando Demetria e Stella deixaram Londres, sem saber que este quarto nunca mais seria habitado. Para falar a verdade, ninguém nem ao menos tinha limpado o quarto, Demi não deixara, não queria que o cheiro da filha sumisse.
Ela abriu o armário, vendo todas as roupas arrumadas. Demi colocara as roupas que estavam na mala de volta no armário, aquilo a fazia sentir melhor, como se Stella fosse precisar delas alguma vez. Procurando a fundo, encontrou um pequeno cobertor, que usava para enrolar a filha quando era apenas um bebê. Pegou o cobertor e o abraçou, cheirando-o. Há muito tempo tinha sido lavado e guardado, mas Demi preferia pensar que tinha rastros de Stella ali.
Sentando-se em uma cadeira de balanço, ainda segurando o pedaço de pano, começou a cantarolar a música que normalmente tocava no quarto, “Além do arco-íris”, do Mágico de Oz. Era uma música bonita, percebeu, gostava da melodia.
Stella gostava, ela gostava de qualquer música.

Dezembro, 2004

A pequena usava um vestido rosa e uma fita vermelha envolvendo a cintura, fazendo com que parecesse um presente. Seu cabelo estava um pouco abaixo do queixo, deixando seu rosto com um formato redondo, que lhe caía bem. As bochechas rosadas eram enormes, ela parecia um anjo. Um rosto que, no momento estava molhado e inchado devido às lágrimas
- Vamos, Stell, pare de chorar. – Demetria dizia, enquanto tentava tirar o vestido da filha, para colocá-la em uma camisola – Se não se comportar, Papai Noel não vai lhe deixar nenhum presente. – Alertou-a.
- Mas eu não quero dormir, mamãe... – Ela implorava – Quero ficar acordada!
- Nada disso. – Falou cansada – Já passou da hora, querida. Quanto mais cedo você dormir, mais rápido vai acordar amanhã, então poderá abrir todos seus presentes.
Vencida pelo sono, a menina deixou a mãe colocá-la em um pijama e deitá-la. Mesmo sendo apenas seu terceiro natal, ela sabia bem que no dia seguinte, milhões de presentes estariam a esperando debaixo da árvore, no primeiro andar. Papai Noel os deixaria lá enquanto ela dormia, e em troca comeria os biscoitos que ela havia preparado com sua avó paterna e sua mãe. Os avós vieram do interior para passar o Natal, vovô havia lhe contado que a daria mais um presente se ela se comportasse bem. Esse era o único motivo para estar indo dormir.
- Mamãe... – Chamou – Canta uma música para mim? – Quando a mãe começou a cantar “Brilha, brilha estrelinha”, ela a interrompeu novamente – Essa não, outra! Canta a da caixinha. – Pediu, já que só conhecia a melodia e não a letra.
Demetria demorou para conseguir se lembrar da letra. Foi até a caixinha, rodando-a e colocando-a para tocar a parte instrumental. Lentamente, começou a sussurrar a parte da música que sabia.
- Somewhere over the rainbow, blue birds fly and the dreams that you dream of, dreams really do come true* - Murmurou, até perceber que Stella já estava dormindo.
Deu um beijo na cabeça da filha, deixando-a dormir.

* Em algum lugar depois do arco-íris, pássaros azuis voam e os sonhos que você sonhou, sonhos realmente se tornam realidade.

Fevereiro, 2006

Demetria murmurava a música, como se ainda cantasse para Stella. Balançava a cadeira para frente para trás, enquanto segurava o cobertor em seus braços, como se tivesse um recém-nascido ali. O movimento era reconfortante, porém apenas a iludia. Enquanto se balançava, as lágrimas não apareciam. Enquanto deixava se envolver por lembranças, não sentia dor.
Podia ser passado, poderia nunca voltar, ser uma ilusão, mas qualquer coisa era melhor do que a realidade. Mesmo que significasse perder a sanidade. Continuou ali, movendo-se para frente e para trás, cantarolando. Assim os problemas desapareciam.
Sentiu os raios solares esquentarem seu braço, mostrando que já havia amanhecido. Há quanto tempo esteve ali? Talvez horas, talvez meses. Pelo canto dos olhos, percebeu que estava sendo observada. Queria pedir a ele que fosse embora, mas não conseguia parar de murmurar a música. Suspirou de alívio ao perceber que estava sozinha novamente, não queria ninguém a perseguindo.

Ao lado da porta, Joe não quis que as lembranças o impedissem de chorar, pelo contrário, as lágrimas caíam. Podia ouvir Demetria murmurar “Somewhere over the rainbow” em um ritmo lento e torturante. Espiou-a por um segundo, o suficiente para entender o que ela estava fazendo, fingindo que balançava um bebê.
Sua dor era imensa, a culpa por ter causado o acidente de Stella o perseguia todos os dias, mas nada era pior que encarar Demetria. Ela não havia perdido apenas a filha, havia perdido a si mesma. Era apenas um fantasma, que caminhava pela casa sem objetivo, que ia do quarto da filha para o próprio quarto. Tinha que obrigá-la a tomar banho e a comer, senão ficaria parada para sempre. Estava tão magra que todos seus ossos estavam visíveis, seus cabelos estavam secos, precisavam ser cortados, sua pele estava pálida e morta. Pelo menos ela respirava.
No primeiro mês após a morte de Stella, Demi tentara se juntar à filha de todas as formas possíveis. Tomou vários comprimidos, bateu o carro, parou de comer. Até o dia em que Joe a viu segurando uma faca. Ele conseguira impedir, a sacudiu, tentando fazer com que ela voltasse a si, porém Demi apenas chorava e depois o mandou se afastar, para não tocá-la. Joe o fez, pois via em seus olhos que ela o culpava e que ele seria a última pessoa de quem ela aceitaria ajuda. Ele tirou os objetos perigosos da casa, escondeu, colocou grades nas janelas e jogou fora todos os medicamentos, qualquer prato ou copo de vidro foi substituído por um de plástico, que não teria como feri-la. A casa estava à prova de suicídios, e logo Demetria se esqueceu de tentar se matar, apenas se desligou do mundo por completo.
Às vezes, ela ia para o quarto deles e dormia ao seu lado, porém nunca mantinha contato físico. Outras, ela ficava no quarto de Stella, dormindo lá, não saía durante todo o dia. Uma vez, Joe tentara levá-la no colo, mas ela se desesperou, mandou que a largasse. E o que poderia fazer? Cada dia se afastava mais, deixando-a em seu mundo, mantendo contato para verificar se continuava viva, nada mais.
Não sabia mais o que era conversar com a esposa, nem olhares eles trocavam. E aquilo estava o matando. Queria sua Demi de volta. Queria Stella de volta. Queria sua felicidade.

Dez coment's para o proximo

Respondendo as minhas fofolet's ;)

Lourena Lovato: kkkk Caminha Lorena ela não vai virar uma psicopata não!! ;)

Aninha: Sim, sim. Eu pedi autorização para a Flávia pra mim reposta. Esa tudo nos conformes!! ;) 


Nina: Calma ainda vai aparecer como foi o acidente!! ;) Paciência!! uahsa 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PArte 2

Todos tomaram café da manhã juntos, e saíram para visitar um shopping. Joe não achou divertido, mas foi mesmo assim. Após o almoço feito em casa, Joe saiu com Stella, deixando Demi sozinha.
Às vezes, ela gostava de passar tempo sozinha. Podia aproveitar para fazer o que quisesse, ou não fazer absolutamente nada. Não precisava brincar com Stella, nem conversar com Joe. Não que não os amasse, mas todos precisam de um tempo de descanso.
Mas hoje, tinha um objetivo a cumprir.
Saiu de casa, sem deixar bilhete. Foi para o shopping, determinada a comprar uma roupa. Não precisaria procurar, pois havia feito isso durante a manhã. Entrou na loja, comprando um lindo vestido.
Pretendia voltar para casa depois disso, mas acabou parando em outras lojas e comprando dois pares de sapato e um vestido casual. Parou para comprar um sorvete e enquanto chupava, percebeu que havia passado mais de duas horas ali e estava atrasada. Na volta passou no supermercado, comprando todos os alimentos necessários para fazer o jantar.
O relógio marcava pouco mais de cinco horas quando começou a preparar o jantar. Joe iria chegar logo, pensou, precisava se apressar. Como não sabia cozinhar muito bem, teve que usar um livro de receitas. Uma hora depois, o jantar já estava pronto. Ela deixou no fogão. Só requentaria um pouco, na hora de ser servido.
Foi para o banheiro, agradecendo a quem teve a brilhante ideia de comprar uma casa com banheira. Ali, finalmente iria relaxar. Pegou o som portátil e colocou um de seus CDs preferidos. Raramente podia ouvir as músicas que queria alto, afinal Joe a criticava. E ela não tinha como discutir, ele era o músico ali. Colocou em um volume alto o suficiente para desligar-se do mundo e se afundou na banheira, deixando seus problemas de lado.
Quarenta e cinco minutos depois, saiu do banho, sentindo-se melhor do que nunca. Percebeu que continuava sozinha em casa, e estranhou isso. Joe já deveria estar em casa, já estava escuro. Talvez tivesse resolvido ir com Stella ao cinema, lembrava de terem falado algo assim alguns dias antes. Ficou desapontada por não ter sido avisada ou convidada, mas se bem que se tivessem ligado, ela não teria escutado.
Despreocupada, secou o cabelo e se maquiou. Vestiu a roupa nova. Foi para a sala e colocou a mesa. Observou o relógio que já marcava sete e meia da noite. Será que eles demorariam muito? Esperava que não. Agora, era só relaxar.
Voltou para o quarto, ficando estressada por não conseguir relaxar.
Demetria se olhou no espelho mais uma vez, admirando sua aparência. Até que tinha ficado bem bonita, reconheceu. O cabelo cor de mel caía ondulado por seu busto. A maquiagem estava um pouco mais forte do que ela costumava usar, mas combinava com o vestido vermelho. Ela deixou o quarto, indo para a sala. A comida já estava pronta, mas ela esperaria Joe chegar para servir; os pratos estavam postos na mesa, tudo organizado. Demetria ajeitou a posição dos guardanapos, sem saber o que fazer.
Não se lembrava da última vez que havia feito uma surpresa ao marido, talvez nunca tivesse feito, pensou. Joseph era o romântico, era ele quem preparava jantares, a levava para sair, comprava presentes e dizia coisas bonitas. Porém aquele era um dia especial, ela se lembrou sorrindo. Stella já estava com um pouco mais de três anos e Demi estava pronta para ter outro bebê, e pretendia comunicar Joe logo.
O telefone começou a tocar insistentemente, mas ela não estava no humor de atender. Tirou-o do gancho, feliz com o silêncio. Passado algum tempo, impaciente, ligou a TV. Estava nas notícias, porém agora passavam apenas propagandas. Irritada, resolveu servir logo o vinho, assim poderia beber enquanto esperava. Abriu a garrafa e observou enquanto o líquido caía.
Seu celular também tocava, percebeu depois de algum tempo. Quem estava insistindo tanto em falar com ela? Andou até o quarto, procurando pelo telefone dentro da bolsa. Assustou-se ao ver milhares de ligações perdidas. Voltou para a sala, e enquanto retornava a ligação, pegou sua taça, tomando um gole.
Atenderam do outro lado da linha, choravam. Demi perguntava o que tinha acontecido, e antes que tivesse a resposta completa, deixava o copo cair no chão, manchando o tapete de vermelho. Tentava não acreditar no que ouvia, mas não conseguia impedir as lágrimas de caírem.
- O que? – Gaguejava ao telefone.
- Acalme-se, Demi – Catherine dizia no telefone – Não saia de casa, ok? Kevin está indo para aí, ele vai te trazer para cá. Vai ficar tudo bem.
Como iria ficar tudo bem, se tudo o que sua irmã lhe dizia era verdade? Desligou antes que Cath pudesse dizer mais alguma coisa, caindo ao chão, desesperada. Ela não ia ficar ali parada, precisava chegar até o hospital. Precisava garantir que seu marido e sua filha estavam bem. Meu Deus, Stella. Como estava Stella? Esperava que não tivesse se machucado. Catherine não queria lhe dizer.
Mas sabia que ela não estava, sentia. Sabia quando atendeu ao telefone, e só ouvia Joe chorando na outra linha. E quando Catherine pegou o telefone e disse que eles estavam no hospital. Tinham sofrido um acidente. Como e Kevin estavam lá, e ela não? Por que insistiu em não atender ao telefone? E no que estava pensando quando ficou desligada ouvindo música, em vez de prestar atenção para ver se ligavam?
Agora não tinha a mínima ideia do que tinha acontecido com a família.
Ouviu alguém tocando a campainha e correu para abrir. Kevin estava a ali. Ele apenas a abraçou. Demi não retribuiu, apenas correu para o carro.
- O que aconteceu? – Murmurou, no carro – Por favor, Kevin, me conte. Eu sei que aconteceu alguma coisa.
- Houve um acidente, Demi. – Kevin falou, baixo – Um acidente muito, muito feio. Tinham vários paparazzi aqui, eles estavam perseguindo Joe. Tentaram levar Stella, Joe ficou desesperado, saiu correndo com o carro.
- O que aconteceu, Kevin? – Perguntava – Eles estão feridos? Mataram alguém, é isso?
Ela tentava não pensar no pior. Tinha ouvido Joe no telefone, não tinha? Ele estava chorando, mas tinha ele mesmo ligado. Isso significava que estava bem. Chegaram ao hospital, Demetria pulou do carro, correndo para ver o que tinha acontecido.
Encontrou Catherine os esperando, no corredor. Sua feição estava assustada, porém não tinha chorado, ela percebeu. Não há motivos para preocupação, Demetria, está tudo bem, ela dizia para si mesma. Olhou à sua volta, procurando pelo marido e pela filha, mas eles não estavam ali. A irmã se aproximou e a abraçou. O que significava aquele abraço? Era bom ou ruim? Kevin ficou olhando, seu olhar era preocupado. Parecia saber de algo que preferiu não revelar. Demi não tinha certeza se queria saber.
Um médico apareceu, disse a Demetria que iria levá-la para o marido. Ela o seguiu até um quarto, Joe estava lá. Seu rosto estava inchado e cheio de arranhões. Estava deitado e parecia que seu braço estava quebrado. Mas estava bem. Estava vivo. Demetria suspirou de alívio.
- Onde está Stella? – Perguntou, notando o que faltava – Onde está minha filha? – Questionava ao médico.
Viu a mudança de humor do médico. Virou-se para o marido, viu que ele nada falava.
- Onde está minha filha? – Repetiu – Eu quero vê-la, agora.
- Acalme-se, Sra. Jonas. – Ele pedia – Sua filha está em cirurgia. Se quiser, podemos levá-la para lá.
Em cirurgia? Como assim em cirurgia? Stella, aquela pequena imitação de gente, precisou passar por uma cirurgia? Mas ela só tinha três anos! O acidente não podia ter sido tão grave... Não podia. Olhou para Joe, como se pedisse ajuda.
- Eu sinto muito. – Ele murmurou – Eu não vi... Não sabia... – Ele dizia coisas sem sentido.
- Acompanhe-me. – O médico a avisou e ela o seguiu.
Passava o corredor com pressa. Lágrimas rolavam pelo rosto de Demetria, ela não conseguia imaginar sua filhinha em cirurgia, sofrendo. Não podia. E onde estava ela quando isso aconteceu? O hospital era triste, cheirava a morte e solidão. Onde estavam as pessoas? Entrou na área da emergência. Seguiram até uma das salas de cirurgia. O médico deixou que ela entrasse, mas alertou que ela não deveria ficar muito próxima. Stella estava na cama, no centro de todas aquelas pessoas enjalecadas. O sangue – e como tinha sangue ali! – contrastava com a brancura de sua pele.
Os médicos falavam coisas que ela não entendia. Bisturi, desfibrilador, anestesia, taxa de oxigênio, batimentos cardíacos. Estamos a perdendo. Mais uma vez. Hemorragia interna, traumatismo craniano. Perdeu muito sangue. Sete minutos. Não há mais nada que se possa fazer. É só um bebê. Sinto muito. Não. Continuem tentando, continuem.
Não. Não. Não. Não! Os médicos tiraram as luvas, limparam o corpo de Stella. Olharam para Demetria com pena. A linha que marcava os batimentos cardíacos estava reta, alguém desligou o monitor. Um médico lhe explicava o que tinha acontecido. Não puderam evitar, ela perdera muito sangue, batera a cabeça. O cérebro tinha ficado muito tempo sem oxigênio.
Lágrimas rolavam pelo rosto de Demetria. Ignorou os médicos, andou até seu bebê. Segurou a mão dela. Sem pulso, sem vida. Não, isso estava errado. Como isso acontecera?
Sua filha. Sua pequena estrela estava ali, morta. E ela estava viva. Isso não era certo, não era natural. Sentiu Joe a abraçar pelas costas – quando ele chegara aqui? – ele também chorava, notou. Não se importava, se afastou dele. Só queria ficar com sua filha agora.
Chorava alto, percebia. Nunca tinha chorado tanto assim. As lágrimas molhavam o rosto de Stella, talvez levassem a vida de volta ao rosto da criança. Não sairia dali, ficaria com sua filha, não iria abandoná-la novamente, nunca mais.
Volte, Stella, por favor. Não podem fazer isso.
- Demi... – Joe murmurava, ela não respondia.
Era culpa dele. O acidente, tudo. Não importava o que tinha acontecido, era culpa dele. Seu bebê não estava mais ali, então nada mais fazia sentido.
Os médicos tiveram que a tirar dali. Sedaram-na, ela não viu mais nada. Não queria sair dali, queria ficar com a filha.
Stella, Stella... Onde está você agora?
Juntou-se às outras estrelas do céu, a onde pertencia desde o início? Por quê? Por que nos abandonou tão cedo?
Irei a seu encontro, Demi pensava, os olhos fechando, lutando contra os médicos. Logo iremos nos encontrar, meu bebê, você não vai ficar sozinha por muito tempo, não precisa se preocupar.
Sem dor, sem sofrimento, deitada na cama, sedada, nada acontece. Nada existe. O mundo acabou.
Apenas uma morta-viva. Onde está Stella? Sonhara com ela aquela noite... Que sonho estranho! Por um momento pensara que a filha não estava mais lá, bobagem, daqui a pouco apareceria feliz e saltitante, enchendo-a de perguntas.
Lágrimas. Não era um sonho. A dor não acabava nunca.
Abriu os olhos, dor. Não era ela que havia sofrido o acidente, mas sentia como se fosse. O quarto era branco, por que hospitais eram brancos? Queria cores. Stella gosta de cores.
Joe está sentado ao seu lado, chorando. Segurava sua mão. Ela não precisava que segurassem sua mão. Afastou-se, queria ficar sozinha. Quis passar o dia sozinha e sua filha morreu. Estava morta. Por quê?
Ela não falava e não falaria, até ter a filha de volta. Isso era uma brincadeira, de muito mal gosto, por sinal.
Já tinham lhe tirado os pais, por que levaram a filha? Sua filhinha... Sua vida.
Que a levassem então, não tinha motivos para ficar. Acabou.

   Dez coment's para o proximo

Obs:Meninas tive que voltar a fazer isso, preciso saber o que tão achando e como não estão comentando pelo menos quantidade eu preciso ver né?!?!E Seja Bem vinas as novas seguidoras. ;) 

Quem quiser ficar sabendo qndo posto pelo twitter!! É só pedir la que eu aviso!! ;)